Rio de Janeiro, 25 de Janeiro de 2026

Botelho admite erro de controladores em acidente da Gol

O presidente do Sindicato do Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, admitiu durante depoimento à CPI do Apagão Aéreo a possibilidade de erro dos controladores no dia do acidente com o avião da Gol. (Leia mais)

Terça, 22 de Maio de 2007 às 08:24, por: CdB

O presidente do Sindicato do Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, admitiu nesta terça-feira, durante depoimento à CPI do Apagão Aéreo na Câmara a possibilidade de erro dos controladores no dia do acidente com o avião da Gol. Botelho diz, no entanto, que esses erros podem ter acontecido por problemas estruturais do setor.

- Ao meu ver, pode ter havido erro dos controladores. Agora, não admito que querendo punir os controladores, não queiram punir as autoridades que não proporcionam a solução das deficiências - afirmou.

Segundo o presidente do sindicato, os equipamentos da aviação brasileira são velhos e obsoletos. Ele denuncia ainda que mais de 90% dos controladores de vôo têm um segundo emprego, o que, em sua opinião, coloca em risco a aviação.

- Eu mesmo comecei um curso quatro vezes, mas o pouco mais que sei do inglês, aprendi por conta própria - disse Botelho. - Com isso, já vi vários possíveis incidentes decorrentes da falta de inglês. Há casos terríveis - completou.

Zonas cegas

Botelho confirmou que há zonas cegas no controle do trajeto feito pelo jato Legacy, que colidiu com o Boeing da Gol. Ele afirmou, inclusive, que já ouviu reclamações de associações internacionais de controladores de vôos sobre a existência dessas zonas cegas no controle do espaço aéreo brasileiro, além de críticas ao software utilizado nos radares.

Outros depoimentos

Ainda nesta terça, a CPI do Apagão na Câmara ouvirá o presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, Wellington Rodrigues.

Ao meio-dia desta quarta-feira, os deputados votarão requerimentos. Na quinta-feira, às 9h, serão ouvidos o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e o brigadeiro Ramón Borges Carneiro, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA).

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