Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Botelho acha difícil Embraer ampliar portfólio de Defesa

Segunda, 13 de Junho de 2005 às 08:15, por: CdB

A Embraer considera "muito difícil" ampliar o leque de produtos para Defesa, segmento que depende muito de orçamentos governamentais. O presidente da empresa brasileira, Maurício Botelho, afirmou à Reuters estar frustrado com o fim da licitação de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) estimada em UU$ 700 milhões.

A quarta fabricante de aeronaves comerciais do mundo participa esta semana da Paris Air Show, feira de aviação que acontece em Le Bourget, na França, sem exibir produtos para a área militar. No portfólio, a Embraer tem aviões para treinamento, ataques leves, supervisão, reconhecimento e vigilância.

- É muito difícil (ampliarmos nossa oferta de produtos em Defesa). Tem um componente político fortíssimo, nenhum país consegue se desenvolver nessa área se não tiver um mercado forte dentro de casa. Não vou desenvolver um produto novo para vender para o país X. O país X vai querer comprar um produto testado - declarou Botelho.

A FAB era a principal cliente da Embraer quando a fabricante ainda era estatal, situação que se modificou gradualmente após a privatização da empresa, em 1994. No primeiro trimestre deste ano, a área de Defesa representou 10% da receita global da Embraer, enquanto a aviação comercial ficou com 76%.

A expectativa é que Defesa represente 17% do faturamento da empresa em 2005, e a meta é chegar a 20% nos próximos anos. Há alguns possíveis contratos na América Latina - negociações estão em curso com os governos da Venezuela e da Colômbia. No Brasil, o governo considera a alternativa de utilizar provisoriamente Mirages usados.

A Embraer fincou o pé no mercado militar dos Estados Unidos, o maior do mundo, ao participar do consórcio, liderado pela norte-americana Lockheed Martin, que venceu licitação para fornecer aviões de inteligência e reconhecimento ao Exército e Marinha.

Contudo, segundo Botelho, a unidade industrial para montagem de jatos de Defesa da Embraer em Jacksonville, na Flórida, está em fase de projeto.

Teremos ainda o contrato, ainda não está formalizado. Agora, o quanto isso vai se desenvolver só o tempo dirá - disse.

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