Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

Bornhausen especula sobre possível aliança PT-PCC em São Paulo

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, vez por outra diz coisas sem pensar. É o que deve ter acontecido nesta quarta-feira, quando levantou a hipótese de o PT estar por trás dos ataques do PCC em São Paulo. (Leia mais)

Quinta, 13 de Julho de 2006 às 09:45, por: CdB

Jogando para a platéia

"O PT pode estar manuseando, manipulando essas ações [do PCC]." A frase é do senador Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFL. Bornhausen realmente se supera a cada dia. O PT tem muitos - e graves - pecados. Mas aventar a hipótese de que esteja mancomunado com o PCC e estimulando os ataques em São Paulo é coisa de quem não leva a sério o que diz ou quer iludir incautos.

 

Demagogia I

PSDB e PFL fazem demagogia ao querer aprovar um reajuste de 16,67% para os aposentados (o mesmo índice com que foi reajustado o salário-mínimo), só porque não são governo. De outro lado, o PT esquece o que prometia e nega o reajuste só porque agora é governo. Há quatro anos os papéis eram invertidos. Realmente, não dá para levar esses partidos a sério. É fato que, sem mexer na estrutura do Orçamento e no montante que, a cada ano é pago de juros aos banqueiros, é impossível se dar esse reajuste. Mas, por que os lucros dos especuladores devem ser intocáveis?

 

Demagogia II

São Paulo pega fogo de novo e Geraldo Alckmin faz turnê pela Europa com o objetivo de fazer fotos ao lado de gente importante. Enquanto isso, Lula oferece os préstimos da Guarda Nacional (como se a solução dependesse mais de força física do que de inteligência no trabalho da polícia) e o governador Cláudio Lembo recusa ajuda federal para não demonstrar fragilidade em ano eleitoral. Estamos diante de uma situação em que ninguém tem razão. Uma coisa é certa, porém: os problemas de segurança pública têm se agravado e continuarão se agravando enquanto aumentar a exclusão social. Isso não exclui a necessidade de se avançar, e muito, no trabalho inteligente da polícia. Mas é bom saber que, em parte, se vai estar enxugando gelo.

 

Libertação de bandidos

Não sou favorável a que alguém fique mofando décadas na cadeia. Acho acertada a política de progressão de penas. Mas parece claro que é preciso rever os critérios com que ela vem sendo aplicada no Rio. Muitos dos antigos chefes do tráfico nas favelas do Rio (não confundir com os verdadeiros chefões do narcotráfico; estes nunca visitaram uma favela) estão saindo em liberdade condicional e voltando ao crime. A polícia reclama da Justiça e esta reclama das leis. Algo tem que mudar.

 

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