Os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), unidade de elite da Polícia Militar, estão sendo treinados no uso de armas não-letais em operações em morros e favelas do Rio. O objetivo é reduzir o número de mortes nos confrontos com bandidos. O treinamento está sendo ministrado pela empresa que vendeu, em fevereiro, ao governo do estado um lote de armas não-letais, como sprays de pimenta e granadas de gás lacrimogêneo e de luz e som.
No primeiro dia, os policiais receberam aulas teóricas. Nesta quarta-feira, o treinamento prosseguiu com o uso dos equipamentos no campo de provas da empresa, situado na Baixada Fluminense. O plano é usar essas armas combinado com as convencionais, minimizando a possibilidade de ferir inocentes durante as operações.
– As armas não-letais, como gás lacrimogêneo e efeitos de ruídos ou fumaças, possibilitam ao policial imobilizar o criminoso ou deixá-lo em posição de desvantagem, mas, caso um inocente esteja no local e seja atingido, o efeito será passageiro, sem danos irreversíveis – afirmou o diretor de Relações Institucionais da empresa, Antônio Carlos Magalhães.
Os policiais ainda vão fazer uma simulação de um confronto em uma favela cenográfica com tropas já treinadas. O treinamento segue orientação do governo estadual de adotar uma postura menos letal. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), houve um aumento de 24,5% do número de casos de bala perdida na cidade no período de um ano.
- Geralmente o agressor em uma favela está numa posição privilegiada, em cima de uma laje ou atrás de um muro, disparando contra a polícia. Com a arma não-letal, o policial, por exemplo, pode lançar uma ogiva de gás lacrimogêneo naquele ponto que vai causar uma incapacitação do bandido, o sujeito não vai conseguir ter um visada perfeita e vai ser obrigado a se deslocar para outro ponto e, ao se expor, dará ao policial a possibilidade de fazer um disparo pontual, sem colocar em risco as outras pessoas ao redor – explicou Magalhães.
Também participam dos treinamentos agentes penitenciários do Grupamento de Intervenções Táticas, da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária, policiais militares da Paraíba, Alagoas e Espírito Santo, do Batalhão de Operações Especiais do Rio Grande do Sul e fuzileiros navais.
Bope aprende a usar armas não-letais em operações
Quarta, 09 de Abril de 2008 às 15:34, por: CdB