Jorge ZAHAR Editor, lançou em 2002 um livro muito interessante, que tem por tema o Vinho & Guerra. Trata-se de narrativas feitas durante três anos com testemunhas que sobreviveram a Segunda Guerra, pelo jornalista e correspondentes político Don Kladstrup e sua esposa Petie Kladstrup, escritora free-lance.
O livro traz informações sobre os acontecimentos que envolveram o vinho no período da Segunda Guerra na França. O cuidado e preocupação com a preservação das “sagradas” garrafas de vinhos francesas fizeram com que homens e mulheres até então viticultores simples, se tornasses astutos e fieis protetores e preservadores do “espírito da França”, que dá vida a cada garrafa de vinho produzida ao longo dos séculos.
Ler Vinho & Guerra é de “tirar o fôlego”. Dentro de aventuras e situações inusitadas, o povo francês cria estratégias fantásticas para burlar o exercito alemão, que em 1940 tinha a terrível intenção de pilhar um dos símbolos franceses mais tradicionais e prestigiados: o vinho.
Segundo um escritor americano que estava na França na época, “os alemães sentiam que estavam sendo constantemente logrados e alvo de chacota”: “Sabíamos que certas coisas estavam acontecendo”, um oficial alemão lembrou mais tarde: “Sabíamos, por exemplo, que vinicultores estavam erguendo paredes e escondendo vinho por traz delas. Sabíamos com toda a certeza que elas estavam sendo construídas, mas não tínhamos tempo de inspecionar a adega de todo mundo”.
Relatos com esses permeiam todo livro, como o caso do jovem francês Marcel de Gallais, que se arriscou, e sendo advogado resolveu representar os viticultores da Borgonha que queriam contestar as freqüentes requisições e confiscos, que os alemães faziam aos vinhos franceses.
Para ir ao encontro de seus clientes, ele muitas vezes tinha de cruzar a Linha de Demarcação, um exercício que além de arriscado, consumia muito tempo e quando ele chegava ao seu destino descobria que nenhum viticultor tinha dinheiro, como solução para o impasse ele sugeria que o pagamento fosse feito em vinhos. Dessa forma a cada viagem, ele voltava para casa com a sacola cheia de bons borgonhas – todos em garrafas sem rótulos. “Assim ele podia dizer aos alemães que era um vinho de mesa qualquer que arranjara”, disse sua mulher Gertrude. Dias ou semanas depois chegava a eles um pacote de rótulos pelo correio, ás vezes trazidos por amigos. Esses vinhos maravilhosos tornavam-se um oásis num deserto de desespero da guerra onde as refeições eram consideradas “medonhas”. O bom vinho alimentava o corpo e a alma remetendo-os à esperança do fim da guerra.
Estou relendo esse livro, e vejo como é bom lidar com informação que nos leva a acreditar, mesmo que a situação diga não. O homem é um guerreiro, diante da adversidade ele cria condições de sobrevivência, ele diz sim apesar dos não gritarem em volta, ele refaz as questões mais difíceis com respostas tão simples, onde o sim e o não ganham novas conotações.
Patriotismo, memória e preservação são elementos contagiantes durante a leitura desse livro.
“A Segunda Guerra Mundial foi o momento mais decisivo nas vidas dos que iriam gerir os vinhedos franceses. Ela moldou não quem eram mas em quem iriam se tornar”. Robert Jousset-Drouhin que nasceu em Paris em 1933 filho de Thérèse Jousset-Drouhin, que era filha de Joseph Drouhin, fundador da Maison Joseph Drouhin, conta que seu pai Maurice teve um papel fundamental em seu futuro: "A partir da idade de 14 anos, eu comecei a provar vinho regularmente com o meu pai. Tive que aprender com relação ao vinho, indo de um vinhedo para outro, de uma colheita para outra.”
Quando seu pai sofreu um derrame em 1957, Robert estava com 24 anos, e foi obrigado a abandonar a escola de enologia para assumir a direção dos negócios. Maurice morreu em 1962. Alguns anos mais tarde, examinando os papéis do pai, Robert descobriu uma carta que ele escrevera da prisã
Bons livros sobre vinho merecem ser relidos
Quinta, 21 de Fevereiro de 2008 às 14:14, por: CdB