Dezesseis pessoas seguem internadas após ficarem feridas no acidente com o bonde, em Santa Teresa no sábado. O caso mais grave é o de um menino de 3 anos, internado no CTI pediátrico do Hospital Souza Aguiar. O Ministério Público (MP) do Rio instaurou inquérito civil para apurar as responsabilidades no acidente.
Dezesseis pessoas seguem internadas após ficarem feridas no acidente com o bonde, em Santa Teresa no sábado. O caso mais grave é o de um menino de 3 anos, internado no CTI pediátrico do Hospital Souza Aguiar.
O Ministério Público (MP) do Rio instaurou inquérito civil para apurar as responsabilidades no acidente. A medida foi tomada pelo promotor de Justiça Carlos Andresano, da 3ª Promotoria de Defesa do Consumidor.
– Nós vamos iniciar um processo de investigação para apurar responsabilidade de quem está operando o serviço de transporte do bonde. O que mais chamou atenção do MP é que foi noticiado não só este acidente, como outros na sequência. Sempre relatando problemas de freio e de conservação. Tudo parece indicar que está havendo uma falha.
Andresano disse ainda que já existe ação do MP, iniciada ainda em 2008, pedindo a recuperação e reforma dos bondes de Santa Teresa. Segundo ele, o governo do estado perdeu a ação, mas teria entrado com recursos, protelando a decisão judicial.
– Já foi dado ganho de causa ao Ministério Público, mas se encontra pendente de recurso. Se for uma falha sistêmica, temos que buscar que se arquem com as responsabilidades, de modo a prestar um serviço adequado à população. Se ficar demonstrado que está havendo uma falta de conservação, o mínimo que se pode esperar é que se coloquem em circulação bondes em condições, para que mais tragédias não aconteçam.
O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, negou que houvesse problemas com o bonde acidentado. De acordo com Lopes, o bonde passou por revisões recentes, quando foram trocadas as quatro sapatas de freio, entre outras peças. A última manutenção, segundo ele, ocorreu no dia 25 deste mês.
– Jamais foi liberado um bonde sem que sua manutenção estivesse rigorosamente feita –, disse.
No entanto, o secretário soube explicar o motivo de o condutor do veículo, Nelson Silva, que morreu no acidente, ter tomado a decisão de manter o bonde em operação quando já o levava para a garagem, após colisão, mais cedo, com um ônibus.
Segundo Lopes, o condutor recebeu, na Estação Carioca, a orientação de levar o bonde para a oficina. Ele subiu para Santa Teresa com o bonde vazio. Mas, por alguma razão, não chegou à garagem, conforme um relatório apresentado pelo secretário.
Perguntado se a responsabilidade pelo acidente seria do condutor, Júlio Lopes preferiu não fazer conjecturas precipitadas.
– Não queremos fazer e não faremos qualquer conclusão precipitada, qualquer ilação
Ele admitiu que a superlotação pode ter contribuído para o acidente. Lembrou que um episódio semelhante ocorreu em 1974, provocado também por superlotação.
– É um problema cultural com o qual a gente vem se debatendo há muito tempo.
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