Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Bombeiros fazem vigília na Alerj

Bombeiros e parentes estiveram acampados nas escadarias do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio, no centro do Rio, na manhã desta segunda-feira, em vigília pela libertação dos 439 bombeiros presos na madrugada de sábado, durante a invasão ao quartel central da corporação, num protesto por melhores salários e condições de trabalho.

Segunda, 06 de Junho de 2011 às 08:03, por: CdB
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Bombeiros e parentes estiveram acampados nas escadarias do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio, no centro do Rio, na manhã desta segunda-feira, em vigília pela libertação dos 439 bombeiros presos na madrugada de sábado, durante a invasão ao quartel central da corporação, num protesto por melhores salários e condições de trabalho. Cerca de 30 homens do Corpo de Bombeiros passaram a madrugada acampados em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em mais um ato de protesto. Os bombeiros estenderam uma enorme faixa nos pilares do Palácio Tiradentes, com a frase “Resistir é Preciso”. Há também outras faixas com os dizeres “Bombeiros são Heróis; não são Vândalos” e “Vândalo é quem prende Herói”. Eles estão em barracas de camping e numa delas improvisaram uma cozinha, onde estão sendo preparados sucos e sanduíches. O cabo Gilberto Batista, que está há 22 anos no Corpo de Bombeiros, disse que a prioridade agora passou a ser a libertação dos presos e que só depois voltarão a discutir a questão salarial. – Foi ensinado pra gente que o quartel é a nossa segunda casa, acaba que a gente entra lá, o comandante-geral não nos recebe e num ato de desespero a gente derruba o portão para aguardá-lo descer, mas ele não desce. E aí acabaram prendendo 439 militares. O protesto dos bombeiros nas escadarias da Alerj foi acompanhado pela Polícia Militar, com três viaturas do batalhão do centro e duas do Batalhão de Choque. No quartel central da corporação, que teve o portão principal derrubado, o clima é de aparente tranquilidade. Dez policiais militares estão posicionados na calçada do quartel. O portão foi recolocado, mas está sendo apoiado por um carro dos bombeiros. O novo comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Sérgio Simões, que assumiu o cargo no sábao, quando 439 bombeiros foram presos, disse que está à disposição dos grevistas para dialogar. – Existe um canal de comunicação aberto, eu já mandei recado para as lideranças do movimento que eu quero recebê-los. Não nas escadarias da Alerj, eu quero recebê-los no quartel do comando geral –, disse Simões, ressaltando que o recado foi enviado no domingo e ainda não teve respostas dos manifestantes. Sobre o aumento do salário, Simões afirmou que o governo tem um programa de recuperação salarial que está em andamento. Segundo ele, em maio houve uma reunião das lideranças dos grevistas e a Secretaria estadual do Planejamento, onde foi pedido que os bombeiros apresentassem as propostas. Em nota oficial divulgada neste domingo, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, voltou a repudiar o ato, classificando a entrada à força na unidade como “um gesto de imensa irresponsabilidade”. Ainda neste domingo, um grupo de aproximadamente 50 bombeiros realizou nova manifestação, caminhando em uma das faixas da Ponte Rio-Niterói. O grupo, que carregava faixas e cartazes, desceu de um ônibus e iniciou a marcha na altura do vão central. Após cerca de dez minutos, o protesto foi interrompido com a chegada de um veículo da concessionária responsável pela via. O grupo seguiu viagem no coletivo. Nesta segunda-feira, os manifestantes fizeram uma oração pedindo que Deus abençoasse e iluminasse o governador Sérgio Cabral, que afirmou que as prisões dos 439 bombeiros rebelados são punições devido à "imprudência" e "imensa irresponsabilidade" dos grevistas. Os detidos foram transferidos para o quartel de Charitas, em Niterói, na Região Metropolitana, no domingo. A corporação reivindica um reajuste salarial de pelo menos R$ 2 mil líquidos. Em protesto contra o tratamento que está sendo dado aos colegas presos, um sargento do centro de operações do comando do Corpo de bombeiros, identificado apenas como Alairton, mostrou as mãos algemadas. Ele denuncia que vários colegas estão feridos, com escoriações, sem tratamento adequado e sem alimentação no hospital dos bombeiros, no Rio Comprido, na Zona Norte da cidade. Mesmo com a paralisação em protesto por melhores salários e contra a prisão de 439 bombeiros, os salva-vidas trabalhavam, no domingo, nos postos à beira da orla de Copacabana, Ipanema e Leblon.  Eles estavam como voluntários e sem o uniforme da corporação.
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