Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Bombas matam quase 30 no Iraque antes de referendo

Terça, 11 de Outubro de 2005 às 10:42, por: CdB

Dois ataques a bomba mataram quase 30 iraquianos na cidade de Tal Afar, norte do país, e em Bagdá. As explosões aconteceram na terça-feira, quatro dias antes de um referendo sobre o projeto de constituição que está dividindo as principais comunidades do Iraque.

Um carro-bomba explodiu num mercado em Tal Afar, matando pelo menos 24 pessoas e ferindo 36, segundo Saleh Kadoo, médico chefe do hospital da cidade. Tal Afar fica perto da fronteira com a Síria e na região onde soldados iraquianos e norte-americanos lançaram uma ofensiva contra insurgentes no mês passado.

Um suicida num carro-bomba atacou um comboio do Exército iraquiano numa parte do oeste de Bagdá que é um reduto de insurgentes, matando cinco pessoas e ferindo 12, informou uma fonte do Ministério do Interior.

O presidente dos EUA, George W. Bush, que promoveu um esforço diplomático para conseguir passar a Constituição, disse estar confiante que os iraquianos se fariam ouvir, apesar do derramamento de sangue.

- Eu espero violência porque há um grupo de terroristas e assassinos que quer tentar deter o avanço da democracia no Iraque - disse Bush em entrevista ao programa "Today" da NBC.

- Eu também espero que as pessoas votem, o que é uma conquista extraordinária - acrescentou. Em Bagdá, representantes dos EUA se reuniram pelo terceiro dia consecutivo com líderes xiitas, curdos e sunitas, num esforço de última hora de obter o apoio dos sunitas antes da votação de 15 de outubro.

Poucos negociadores, porém, acreditavam na probabilidade de um acordo. O motivo da discordância são "ajustes" da linguagem e não uma revisão básica da Carta a ser apresentada aos eleitores, disse uma fonte norte-americana.

Alguns líderes árabes muçulmanos sunitas afirmam que a Constituição selará a sua ruína política e entregará o controle do país à maioria muçulmana xiita e seus aliados curdos. O temor dos sunitas, que representam apenas 20% da população iraquiana mas dominaram o país no governo de Saddam Hussein, está no centro de uma insurgência cada vez mais sangrenta que matou centenas de civis nos últimos meses.

A Constituição deveria unir o Iraque do pós-guerra, mas o referendo pode aumentar a possibilidade de uma guerra civil total se os árabes sunitas se sentirem alienados e privados de seus direitos civis ou privilégios.

Washington vê a constituição como o elemento-chave para seu plano de estabelecer um governo iraquiano estável e democrático, o que lhe permitiria retirar os 140.000 soldados norte-americanos estacionados no país. A presença deles no Iraque é cada vez mais impopular nos EUA.

Participantes disseram que as conversações, dirigidas pelo embaixador dos EUA, Zalmay Khalilzad, se concentram nas cláusulas constitucionais que permitiriam aos curdos do norte e os xiitas do sul criar regiões em grande parte independentes -- o que é visto pelos sunitas como uma receita para uma divisão do Iraque em que eles seriam despojados dos rendimentos do petróleo.
O principal porta-voz do governo iraquiano, Laith Kubba, disse que as conversações indicam a importância atribuída por Bagdá e por Washington a se chegar a um consenso constitucional.
- Como políticos, estamos todos muito interessados em ter um forte consenso, especialmente porque estamos em guerra contra uma rede internacional de terroristas que opera livremente no nosso país - afirmou.

A expectativa é que os sunitas boicotem o referendo ou votem "não". Se dois terços dos eleitores de três das 18 províncias do Iraque votarem "não", a Constituição é rejeitada. Os sunitas são maioria em pelo menos três províncias, mas a expectativa é que não consigam levantar votos suficientes para rejeitar a carta. Se não conseguirem, poderá ser o fim de uma insurgência que assola todo o país há mais de dois anos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) apoiou o processo constitucional, assim como a Liga Árabe, de 22 membros. Uma deleg

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