Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Bombas explodem no Leblon e são ouvidas na Esplanada dos Ministérios

Por Sergio Nogueira Lopes – Bombas de efeito moral quebram o silêncio da madrugada, enquanto balas de borracha perseguem os manifestantes até nas areias da praia.

Sábado, 06 de Julho de 2013 às 11:51, por: CdB
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Manifestante nicaraguense manda seu apoio pelas redes sociais aos manifestantes do Leblon

Diante desse fracasso administrativo generalizado, que levou o país à convulsão, a caixa de correspondência do Palácio do Planalto esvaziou, e dona Dilma não recebe mais convites pomposos para jantar, nem sequer para comer jujubinhas na Casa Branca com Mr. Obama. Sim... Obama, aquele que está com as orelhas de molho por ter sido apanhado, em flagrante, esticando-as para ouvir inconfidências da premiê Angela Merkel, a poderosa fazendeira alemã, hoje detestada pelos europeus. As recentes pesquisas reforçaram o enfraquecimento definitivo dessa política de gabinetes suntuosos e perfumados. Mascarava o cheio das ruas que, agora, invade a Esplanada dos Ministérios mais almiscarado com o gás de pimenta.

O alento vem da constatação: Diante da violência policial e dos confrontos que produzem imagens absolutamente  assustadoras, nenhum governo estrangeiro mostrou a menor solidariedade aos brasileiros que lutam contra a corrupção e a máquina desperdiçadora do Estado, cuidadosamente embrulhada em papel verde e amarelo.

É chocante observar o menosprezo com que o mundo revela a verdadeira rebelião que se instala no país e acua os políticos em seus palácios. No Rio, o governador Sérgio Cabral está sendo levado ao desespero por manifestantes que sitiam sua rua há semanas. Exigem eles transparência nas negociações do governo com os empreiteiros. Mas vejam só se isso é possível!... Lembro-me bem do padre Valdivino, que aconselha aos fiéis:

“Nunca peçam ao Santo mais do que ele possa dar”.

Governador Sérgio Cabral nem que apareça de tranças na janela, e sem guardanapo na cabeça, cantarolando a canção de Lupicínio Rodrigues, conseguirá fazer dormir os revoltosos que passam a noite em claro protestando em sua porta.

“Esses moços pobres moços Ah! Se soubessem o que eu sei Não amavam.. Não passavam aquilo que eu já passei”.

Desistindo do esforço inútil de mandar a manifestação para o Palácio Guanabara, manhã raiando, ainda de olheiras , desesperado, manda a polícia atirar nos rapazes e moças sem piedade. Na madrugada outrora boêmia do Leblon, bombas de efeito moral quebram o silêncio da madrugada, enquanto balas de borracha perseguem os manifestantes até nas areias da praia, que tem o metro quadrado mais caro da América Latina.

Em Brasília nossa presidenta disputa com os políticos do Congresso o primeiro lugar no jogo da enrolação, com esse plebiscito que, no fundo, no fundo, não chega sequer a uma consulta pública.

Mas, afinal o que terá causado todo este rebuliço no país?

Arrisco dizer que esta crise foi provocada pela insatisfação popular que vai do preço da coxinha às altas taxas do pedágio, passando pelo custo exorbitante das ligações telefônicas. Sem contar que a internet, no Brasil, é de lascar. A realidade, no entanto, apresentada nos níveis alarmantes de corrupção e no sacolejo da economia, mostra, no todo, o singelo colapso do sistema capitalista. E sua origem mais recente foi patrocinada por arroubos de grandeza, brandidos à exaustão na última década.  Gerou expectativas lunares aos brasileiros, que já se consideravam ricos. Quando eclodiu, na Europa, a mais recente crise do sistema vigente, nossos governantes afirmaram que ela jamais chegaria aqui.

Ao que parece, fomos todos enganados. A visita chegou de repente. Sem avisar. E com a fatura na mão.

É hora de pagar a conta.

snl-150x150.jpgArquivo CdB
     

Sérgio Nogueira Lopes é jornalista, sociólogo e escritor, autor de Opinião Giratória entre outros livros.

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