As bombas usadas pelos quatro militantes suicidas para matar 52 pessoas em Londres foram feitas com ingredientes simples, como substâncias para clarear os cabelos, e três dos dispositivos provavelmente foram acionados por telefones celulares, disse o chefe da polícia de Nova York.
Os aparatos caseiros usados em 7 de julho foram mantidos em uma geladeira comercial em um apartamento no norte da Inglaterra e transportados em maletas térmicas para uma estação nos arredores de Londres, onde os homens tomaram o trem para a capital, afirmou Raymond Kelly.
-Inicialmente pensou-se que talvez os materiais fossem explosivos militares contrabandeados, mas este não foi o caso - disse Kelly em encontro com chefes de segurança de grandes empresas de Nova York, segundo reportagens da imprensa dos EUA.
- É como se esses terroristas tivessem ido a uma loja de ferramentas ou a alguma loja de produtos de beleza - disse ele.
As informações, baseadas parcialmente em dados de segurança obtidos por autoridades de Nova York enviadas a Londres para monitorar a investigação policial, são a primeira descrição detalhada dos explosivos e dos métodos usados pelos suicidas.
A polícia da Grã-Bretanha afirma que quatro britânicos muçulmanos foram responsáveis pelas explosões em três trens do metrô e em um ônibus. Duas semanas depois, quatro homens tentaram realizar ataques similares, mas as bombas não explodiram.
O departamento antiterrorismo britânico não confirmou as reportagens publicadas nos EUA e já afirmou que os detalhes sobre os explosivos podem ser parte importante da investigação.
Autoridades indicaram que ficaram descontentes com as revelações nos EUA.
- Não é algo que normalmente gostaríamos de fazer- disse o vice-comandante da Polícia do Transporte Britânico, Andy Trotter, à rádio BBC.
Autoridades dos EUA afirmaram ter tido permissão britânica para divulgar a informação.
"A receita para se fazer uma bomba está, infelizmente, disponível na Internet como uma receita de bolo de carne", declarou Kelly, segundo o New York Times.
Os investigadores acreditam que as três bombas que explodiram no metrô foram detonadas por telefones celulares, com alarmes marcados para as 8h50, disseram os artigos nos EUA. A quarta bomba, no ônibus, explodiu quase uma hora depois.
A tentativa fracassada de ataque em 21 de julho usou aparatos similares, mas os detonadores eram manuais, revelaram autoridades norte-americanas.