Aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mataram pelo menos 50 civis, a maioria mulheres e crianças, em bombardeios no sul do Afeganistão durante um importante feriado islâmico, disseram nesta quinta-feira líderes locais. O incidente teria acontecido em Panjwai na terça-feira, durante o festival Eid al-Fitr, que marca o final do mês muçulmano de jejum. Esta é uma região onde a aliança afirma ter matado centenas de insurgentes em ofensiva de duas semanas no mês passado.
A Otan diz que matou 48 insurgentes na terça-feira durante combates pesados na área, na Província de Kandahar, e que recebeu relatos confiáveis de que diversos civis foram mortos na operação. O Ministério da Defesa mandou uma equipe para investigar.
- Foi tarde da noite, esse deve ser o motivo por não saberem onde bombardear. Eles bombardearam casas residenciais - disse Agha Lalai, membro da assembléia.
O líder tribal Naik Mohammad disse, durante visita a feridos no hospital, que 60 civis morreram. Moradores também disseram que 60 morreram e outro membro da assembléia afirma que foram 80. Testemunhas afirmam que 25 casas foram destruídas durante quatro ou cinco horas de bombardeios. A missão da ONU no Afeganistão (Unama) pediu nesta quinta-feira a realização de uma investigação rápida.
Este ano vem sendo um dos mais sangrentos no Afeganistão desde que o governo do Taliban foi derrubado na invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2001. Mais de 3.000 pessoas foram mortas, a maioria militantes, mas também muitos civis, assim como mais de 150 soldados estrangeiros. O Taliban e outros grupos militantes se reagruparam com ajuda do crescimento do comércio ilegal de ópio e da crescente decepção com o ritmo lento da reconstrução, falta de empregos e de uma economia real.
O comandante da Otan no Afeganistão, o general britânico David Richards, advertiu que os próximos seis meses serão cruciais. De acordo com ele, os afegãos podem se voltar ao Taliban se não verem o desenvolvimento que foi prometido. Em mensagem aos afegãos no Eid, o chefe do Taliban, o mulá Mohammad Omar, prometeu intensificar os ataques e um líder guerrilheiro disse à BBC que o grupo vai aumentar o uso de homens-bomba -- para até seis em um único ataque.
Apesar de ainda não ser tão comuns como no Iraque, os ataques suicidas no Afeganistão aumentaram muito neste ano, matando até agora cerca de 200 pessoas. Em 2005, o número de vítimas ficou entre 50 e 60.