Um potente carro-bomba feriu nesta terça-feira o ministro pró-Síria da Defesa do Líbano, Elias Al Murr, e matou duas pessoas na zona norte de Beirute. Atentados desse tipo têm sido comuns nos últimos meses no país.
Uma fonte de segurança disse que a bomba usada contra a comitiva de Al Murr no subúrbio cristão de Antelias continha cerca de cem quilos de explosivos e foi detonada por controle remoto.
Outras 12 pessoas ficaram feridas na explosão, que pôde ser ouvida a vários quilômetros.
- Sei que o país está atravessando uma fase difícil, e temos de ser decididos até que esta fase passe - disse Al Murr, ferido no rosto e em uma mão, de seu leito hospitalar à rádio Voz do Líbano.
Um corpo carbonizado foi retirado dos destroços de um carro após a explosão. A pista ficou cheia de sangue. Várias peças de automóveis, fumegastes, foram parar no jardim de uma mansão da sofisticada região, que fica num morro com vista para o Mediterrâneo.
-Vi a comitiva subindo a rua e aí houve uma grande explosão. Vi um carro em chamas. Dois motoristas com sangue pingando do rosto tiraram o ministro do banco de trás, o colocaram em um outro carro e foram embora - disse George Adouda, de 14 anos.
Policiais isolaram a área da explosão, que abriu uma cratera de vários metros no chão. A embaixatriz mexicana em Beirute ficou levemente ferida na explosão, ocorrida perto das embaixadas do México e da Bolívia, mas não precisou de atendimento médico.
O Líbano já teve vários atentados desde 14 de fevereiro, quando foi assassinado o ex-primeiro-ministro Rafik Al Hariri. Mas esta é a primeira vez que a vítima é ligada à Síria.
Damasco nega ter participação nos incidentes anteriores, contra personalidades anti-sírias. A Síria, que em abril retirou suas tropas do Líbano, disse que o atentado contra Al Murr foi uma tentativa de desestabilizar o seu vizinho.
- Estes atos de terror atingem libaneses de todas as correntes políticas, o que afirma que aqueles por trás dos ataques estão diretamente ligados aos inimigos do Líbano e da estabilidade na região - disse uma fonte oficial à agência estatal síria Sana.
O presidente Emile Lahoud, que é sogro de Al Murr e também um importante aliado da Síria, esteve entre as autoridades de primeiro escalão que visitaram o ministro no hospital.
O líder druzo Walid Jumblatt, inimigo declarado da Síria, vinculou o atentado à investigação da morte de Al Hariri.
- Há um plano para liquidar os que têm informações sobre o assassinato de Rafik Al Hariri Há um total colapso da segurança no Líbano, e até atingirmos uma nova ordem política veremos essas ações criminosas - disse.
Uma equipe da ONU está investigando a morte de Al Hariri.
Embora Al Murr seja aliado da Síria, seu pai forjou uma aliança política com Michel Aoun, um ex-general cristão que retornou ao país em maio, após 14 anos de exílio por ter liderado uma revolta contra a presença militar síria.
- Al Murr teve acesso a informações sobre movimentos e organizações terroristas no país e estava definitivamente exposto a tal ataque - disse Aoun à TV Al Manar.
O atentado ocorreu no momento em que o futuro primeiro-ministro Fouad Siniora tenta formar o primeiro governo do país desde a partida das tropas sírias, ocorrida sob forte pressão da comunidade internacional e da população libanesa após a morte de Al Hariri.
Samir Kassir, um jornalista que se opunha com veemência à presença síria no Líbano, foi morto em 2 de junho por uma bomba deixada em seu carro. O político anti-Síria George Hawi, que havia sido líder do Partido Comunista, foi assassinado de forma semelhante em 21 de junho. Ambos, a exemplo de Al Murr, seguiam a religião cristã greco-ortodoxa.