O jamaicano Usain Bolt entrou para a história dos Jogos Olímpicos, neste sábado, ao vencer os 100 metros rasos da Olimpíada de Pequim em grande estilo, pulverizando seu próprio recorde mundial ao completar a prova em 9s69. Bolt deu início à comemoração antes mesmo de cruzar a linha de chegada. O velocista arrebatou a mais cobiçada medalha olímpica com facilidade, bastante à frente de Richard Thompson, de Trindade e Tobago, que ficou com a de prata. O norte-americano Walter Dix levou o bronze.
O alto e descontraído jamaicano ergueu os braços e bateu no peito para festejar bem antes de cruzar a chegada, selando uma transição notável dos 200 metros, sua especialidade, para ser o campeão da principal atração das corridas de atletismo nas Olimpíadas.
- Eu vim para vencer, esse era o meu objetivo. Eu não sabia que tinha feito o recorde. Só vi quando dei a volta olímpica - disse Bolt, depois da prova em que conquistou o primeiro ouro olímpico da Jamaica nos 100m masculino.
Bolt só começou a correr os 100m no ano passado, deixando os outros corredores na sombra com seus desempenhos. Ele se mostrou uma ameaça pela primeira vez em maio, quando estabeleceu o então recorde mundial em Nova York, com a marca de 9s72. Era de se esperar que grande parte dos jamaicanos grudasse na televisão para assistir à corrida extraordinária, e este público deve ter pulado de alegria neste sábado.
Apesar da tradição de produzir grandes corredores, a ilha caribenha jamais havia conquistado um ouro olímpico masculino na prova mais tradicional do esporte. Bolt agora pode mirar o objetivo de se tornar o primeiro homem a vencer os 100m e os 200m na mesma Olimpíada desde Carl Lewis em 1984. O jamaicano tem motivos para estar confiante para os 200m, que acontecem na quarta-feira.
- Agora eu estou me focando apenas nos 200 metros. Vim aqui preparado e vou partir para isso - afirmou.
A alardeada disputa entre Bolt, o ex-detentor do recorde mundial e compatriota Asafa Powell e o campeão mundial Tyson Gay, dos EUA, nem chegou a acontecer na pista do estádio Ninho de Pássaro. Gay, sofrendo com uma lesão em um tendão da perna, foi lento demais em sua semifinal para se classificar para a corrida da noite chinesa, diante de uma platéia empolgada de 90 mil espectadores no magnífico estádio.
Powell, de 25 anos, que nunca venceu um título internacional importante, terminou a final apenas na quinta colocação.
- Eu queria muito conquistar esse ouro, mas obviamente eu não estava preparado para isso - disse Powell.