Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Bolsas seguem otimistas e, no Brasil, estrangeiros fazem a festa

Terça, 05 de Janeiro de 2010 às 11:00, por: CdB

As bolsas de valores da Ásia fecharam no maior patamar em 17 meses nesta terça-feira, já que uma maior confiança sobre a recuperação econômica global alimentou o apetite por risco. O índice MSCI que reúne mercados acionárias da região Ásia Pacífico com exceção do Japão subia 1,3%, para 426,20 pontos, às 7h15 (horário de Brasília).

– Os investidores estão procurando mais risco graças às melhores condições econômicas – disse Tsutomu Soma, administrador sênior do Okasan Securities.

Uma série de dados positivos de China, Índia e Coreia do Sul desde o começo do ano está encorajando investidores a aumentar a exposição aos ativos asiáticos. Os ganhos da véspera em Wall Street também animaram o pregão desta manhã. A bolsa de Tóquio avançou 0,25%, para 10.681 pontos, no maior patamar em 15 meses. O destaque ficou com as ações relacionadas a matérias-primas, depois que os preços do cobre e da platina alcançaram na véspera o maior nível desde 2008.

Os ganhos do dia foram contidos pela alta do iene que prejudicou as empresas exportadoras.

Novo recorde

Bolsa que registrou a maior alta no mundo, em dólar, ao longo do ano passado, a brasileira BM&F Bovespa encerrou o último período com um novo recorde: A entrada de R$ 20,45 bilhões em recursos estrangeiros de fundos de pensão e de hedge internacionais, já descontadas as repatriações de capital. Este foi o maior saldo de capital externo na Bolsa desde 1994, início dos registros.

Os bons ventos internacionais tendem a continuar durante o primeiro trimestre de 2010, apesar da forte recuperação no preço das ações brasileiras, segundo analistas. No encerramento do último pregão, a Bovespa registrou a primeira alta do ano, de 2,12% no Ibovespa, que fechou o primeiro pregão de 2010 marcando 70.045 pontos – primeira vez acima de 70 mil desde junho de 2008. No mercado de câmbio, o dólar comercial iniciou o ano com baixa de 1,32%, negociado novamente a R$ 1,72.

O otimismo da véspera deveu-se aos indicadores positivos do setor industrial na China e nos EUA, que reforçam a perspectiva de retomada consistente da economia global. A indústria chinesa manteve recuperação em dezembro pelo nono mês consecutivo. Nos EUA, o indicador industrial de novembro do ISM (gerentes de compras) teve o melhor desempenho desde abril de 2006.

Em conversa com jornalistas, a economista Vitoria Saddi, especialista em mercados internacionais do Insper (antigo Ibmec-SP), disse que alguns dos principais investidores estrangeiros do planeta aumentaram recentemente sua exposição a papéis brasileiros e reduziram o percentual de ativos de Rússia, Índia, Ásia e outros países emergentes.

– Mercado emergente hoje é igual a Brasil. Nada indica que isso vá mudar agora. A crise beneficiou o Brasil e mostrou que o país é melhor em termos financeiros do que os outros emergentes – afirmou.

Relatório da Bovespa também mostra que o investidor estrangeiro esteve presente em 34,2% dos negócios realizados com ações em 2009 e comprou em média 65% das ações vendidas em ofertas públicas no mercado. No ano anterior, o estrangeiro respondia por 35,5% dos negócios e ficava em média com 70% das novas ações.

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