A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), após um dia de euforia, registrou perdas desde os primeiros negócios desta quinta-feira. Embora a economia chinesa tenha declarado um crescimento acima do previsto e a cena externa seja tão otimista quanto no mercado doméstico, a forte alta da véspera, de 4,96%, tem levado parte dos investidores à realização de lucros com a venda de papéis.
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, cedia 0,66% aos 50.927 pontos. A taxa de câmbio do dólar chegava a R$ 1,93 nas primeiras horas do pregão, o que significa um decréscimo de 0,15% sobre a cotação da quarta-feira. A taxa de risco-país marcava 268 pontos, ou 2,68% acima da pontuação anterior.
No front externo, o Departamento de Trabalho dos EUA comunicou mais uma queda na demanda pelos benefícios do auxílio-desemprego: Houve uma redução de 47 mil pedidos iniciais entre as duas semanas anteriores.
Safra de números
Uma safra de dados econômicos e corporativos acima das expectativas nos Estados Unidos espalhou entusiasmo pelos mercados globais, levando a bolsa paulista à maior alta diária em oito semanas. Com uma disparada de 4,96%, o Ibovespa alcançou os 51.296 pontos, praticamente anulando as perdas acumuladas em julho depois de sete baixas em oito sessões. O movimento foi suportado por um giro financeiro de R$ 6,46 bilhões, o maior em 3 semanas.
A disparada fora prevista por analistas, depois de a gigante de tecnologia Intel ter anunciado no final da terça-feira que teve lucro acima das expectativas no segundo trimestre, trilhando o caminho do Goldman Sachs, que também havia surpreendido positivamente o mercado.
– Os primeiros balanços nos EUA estão reforçando a visão de que o pior da crise ficou para trás – disse Fernando Campello, gerente da Hera Investment.
O noticiário macroeconômico reforçou o entusiasmo do mercado, com a divulgação de que o Empire State, importante índice regional dos EUA, subiu em julho para o maior nível desde abril de 2008 e que a atividade industrial do país caiu menos do que se esperava em junho. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones subiu 3,07%.
O otimismo contaminou também os mercados de commodities, ajudando a impulsionar algumas das principais ações do Ibovespa. O ícone desse movimento foi o papel preferencial da Vale, com um salto de 8,3%, para R$ 30,17. A disparada refletiu também um relatório datado de terça-feira, mas que chegou ao mercado nesta manhã, com o Merrill Lynch elevando a recomendação das ações da mineradora para "compra", elegendo-as como uma de seus preferidas na América Latina.
Segundo operadores, comentários de que a mineradora chegou a um acordo com siderúrgicas chinesas para um corte nos preços do minério menor do que o projetado por analistas deu fôlego adicional ao papel. A ação preferencial da Petrobras avançou 3,95%, para R$ 30,76, refletindo a alta do petróleo. Em menor intensidade, o otimismo cobriu o mercado. Das 65 ações do Ibovespa, 63 subiram.
Para Campello, a proximidade do exercício de opções ajudou a impulsionar o Ibovespa. Isso porque os investidores que apostam na baixa dos papéis vinham agindo para impedir o exercício de algumas séries, fazendo o Ibovespa fechar as últimas duas sessões no vermelho na contramão de Wall Street. Com uma nova disparada em Nova York, esses investidores desistiram da estratégia, abrindo espaço para realinhamento em relação aos mercados internacionais.