As principais bolsas asiáticas operaram sem rumo definido nesta quarta-feira, com os investidores evitando apostas mais arriscadas diante das preocupações sobre a dívida na zona do euro, apesar do pacote de ajuda de 1 trilhão de dólares. O índice MSCI que acompanha as bolsas da região da Ásia-Pacífico exceto Japão tinha ligeira alta de 0,06%, a 400 pontos, às 7h59 (horário de Brasília) depois de cair 1% na véspera.
Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 0,2%, para 10.394 pontos, revertendo ganhos anteriores, com os estrangeiros continuando a vender ações preocupados com a avaliação de que o pacote de socorro na zona do euro fez pouco para resolver os problemas de dívida de longo prazo da região.
– Desde o início deste mês, os estrangeiros realmente estão vendendo ações japonesas, em parte porque o mercado japonês ficou fechado por feriado e as bolsas internacionais caíram durante esse tempo, e em parte porque a crise da dívida grega realmente piorou. Neste momento não acho que muito deste dinheiro está fluindo para outros mercados acionários na Ásia. Ele está indo provavelmente para títulos do Tesouro dos Estados Unidos ou ouro como parte de uma fuga de ativos de maior risco – disse Hideyuki Ishiguro, estrategista da Okasan Securities.
Na Coreia do Sul, a bolsa de Seul perdeu 0,43%, para 1.663 pontos, reagindo pouco à decisão do BC coreano de manter as taxas de juros. Em Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 0,33%, para 20.212 pontos. Xangai subiu 0,31%, para 2.655 pontos. Taiwan teve leve queda de 0,08%, a 7.602 pontos. Cingapura avançou 0,79%, para 2.880 pontos. A bolsa de Sydney fechou com alta de 0,55%, para 4.572 pontos, com o orçamento federal impulsionando o setor bancário.
Bovespa em alta
Apesar da falta de confiança dos investidores asiáticos nas soluções apresentadas à crise econômica que atinge a Europa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) iniciou as operações desta quarta-feira em alta, acima dos 65 mil pontos. No início do pregão, o principal índice da bolsa, o Ibovespa, avançava 1,12%, aos 65.148 pontos.
Na véspera, os investidores realizaram boa parte dos lucros obtidos com a alta de mais de 4% do dia anterior. As incertezas sobre o pacote de ajuda financeira à Europa, por sua vez, também ajudou na queda de 1,57%, aos 64.424 pontos. O volume negociado ficou em R$ 6,081 bilhões.
Na Europa
Ainda nesta quarta-feira, as bolsas europeias amanheceram equilibradas no terreno positivo enquanto os investidores buscavam compreender os dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro no primeiro trimestre deste ano. Balanços corporativos melhores do que o esperado também ofereciam certa sustentação para as ações, assim como o anúncio de medidas para acelerar os planos de corte do déficit da Espanha. Essa última notícia deu força para o euro no início do dia, mas a moeda voltou a operar em baixa pouco depois.
Segundo dados preliminares da Eurostat, o PIB da zona do euro cresceu 0,2% nos três primeiros meses deste ano, em relação ao quarto trimestre de 2009, e 0,5% em comparação com os três primeiros meses do ano passado. Os dados ficaram levemente acima da estimativa dos economistas ouvidos pela Dow Jones. De todo modo, os números levantaram dúvidas sobre se a recuperação da região pode ser sustentada, tendo em vista os cortes nos gastos e os aumentos de impostos necessários para restaurar a sustentabilidade em algumas das maiores economias do bloco.
Às 8h45 (de Brasília), o índice FT-100 de Londres subia 0,31%, o CAC-40 de Paris avançava 0,76% e o DAX de Frankfurt ganhava 1,82%. No mercado de câmbio, o euro caía para US$ 1,2681, de US$ 1,2700 no fim da tarde de ontem, e o dólar subia para 93,18 ienes, de 92,81 ienes ontem.
Entre as commodities, o petróleo para junho operava em alta de 0,41% na Nymex eletrônica, para US$ 76,68 por barril, e o cobre para julho negociado na Comex subia 0,65%, para US$ 3,2275 por libra-peso
As ações do setor financeiro foram impulsionadas por balanços trimestrais melhores do que o esperado. O UniCredit, maior banco da Itália em capitalização de mercado, teve lucro de 520 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período, o lucro da seguradora alemã Allianz subiu para 1,55 bilhão de euros, enquanto o banco holandês ING Groep saiu de prejuízo para lucro de 1,33 bilhão de euros.
Na Espanha, o primeiro-ministro José Luis Rodriguez Zapatero anunciou planos para corte de 5% dos salários do setor público e congelamento dos pagamentos durante o próximo ano. As medidas, que aceleram os planos para redução do déficit do país, aumentaram a confiança dos investidores na capacidade dos países periféricos da zona do euro de implementar medidas de austeridade fiscal.
Além das bolsas, o euro também foi beneficiado pela notícia e chegou a operar acima de US$ 1,27, valor registrado no fim da tarde de ontem em Nova York. No entanto, a força da moeda durou pouco e o movimento foi revertido pouco tempo depois.
Enquanto isso no Reino Unido, o líder do Partido Conservador, James Cameron, assumiu o posto de novo primeiro-ministro britânico, depois de chegar a um acordo com os Liberais Democratas. A conclusão das prolongadas negociações reduziram as preocupações dos mercados, levando a libra a atingir US$ 1,50, antes de novamente operar abaixo desse patamar. As incertezas com relação à coalizão Conservadores-Liberais Democratas e os riscos em torno dos novos planos do governo britânico para cortar seu déficit orçamentário limitam os ganhos da moeda e da Bolsa de Londres.
As declarações do presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, também foram ouvidas atentamente pelos investidores. King afirmou que a crise financeira está longe do fim e disse que os governos de todo o mundo precisam solucionar os excessivos déficits orçamentários.
Ao longo do dia os mercados deverão ficar atentos à investigação lançada nos EUA sobre as operações financeiras do Morgan Stanley. Uma reportagem do Wall Street Journal informou que os promotores federais dos EUA investigam se o Morgan Stanley enganou os investidores em operações com derivativos de hipotecas.