No início da manhã, o pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) estava com "tudo para ser animado", segundo um analista, em conversa com jornalistas, que vê espaço para o índice avançar mais do que nos últimos dias, quando a Bolsa local seguiu descolada das internacionais. Por volta das 11h40, o índice Bovespa (Ibovespa) subia 3,51%, aos 50.588 pontos. Na terça, o indicador encerrou o pregão em baixa de 0,64%, aos 48.872 pontos.
Ainda segundo o operador, depois dos dois primeiros grandes balanços corporativos - os da Goldman Sachs e da Intel - terem apresentado resultados melhores do que o previsto, não há motivo para o Brasil ficar descolado dos mercados americano e europeu, que seguem em alta. Segundo Debora Morsch, da Solidus Corretora, os dados corporativos divulgados nos Estados Unidos do segundo trimestre já mostram um cenário melhor que o do primeiro, um sinal de que talvez "o fundo do poço já tenha sido atingido".
Morsch também acredita que a definição do preço do minério de ferro com as companhias chinesas pode ser uma boa notícia para a Vale, "que tem sido muito penalizada ultimamente", afirmou. Um executivo da Hebei Iron and Steel Group, que não quis ser identificado, informou que sua companhia fechou acordo com a Vale, prevendo um desconto provisório de 28% em relação ao preço de contrato do ano passado, e com as mineradoras anglo-australianas Rio Tinto e BHP Billiton para um desconto provisório de 33%.
Tanto a Associação do Ferro e do Aço da China (Cisa, na sigla em inglês) como as principais mineradoras reiteraram, porém, que continuam as negociações para o preço final do ano contratual 2009-2010. Desde o início do novo ano contratual, em 1º de abril, todos os embarques de minério contratados sob acordos de preço de longo prazo têm sido feitos com valores provisórios, e os descontos variam de 20% a 40% em relação aos do ano passado.
Além do otimismo externo, na terça teria sido concluída a zeragem de lucros por parte de dois fundos estrangeiros, contribuindo para aliviar a pressão que tem marcado os últimos pregões na Bolsa, diz um operador. Os investidores estrangeiros sacaram R$ 1,943 bilhão da Bovespa este mês, até o dia 10, segundo o último dado oficial da BM&FBovespa. Essa saída de capital externo é resultado, segundo analistas, de realização de lucros e da volta dos investidores ao mercado de ações norte-americano.
Os investidores já se sentem mais confortáveis em retornar aos EUA, diante de sinais de reativação do consumo e da perspectiva de lucros melhores das empresas. "Isso pode forçar a uma troca de bolsa Brasil-EUA, mas é um movimento pontual. Daqui a pouco os papéis brasileiros voltam a ficar atrativos", avalia o economista da Legan Asset Management, Fausto Gouveia.