Nesta quinta-feira, véspera de feriado, a movimentação nas bolsas européias refletia o nervosismo de investidores europeus, que continuam de olho em dados sobre o desempenho de grandes bancos, em meio às contínuas incertezas sobre as conseqüencias da crise no mercado de crédito imobiliário nos Estados Unidos. Na Europa, as principais bolsas abriram em queda no início dos pregões. O índice FTSE da bolsa de Londres operava em baixa de 0,78% às 8h30 (5h30 no horário de Brasília). Em Frankfurt, o índice Dax operava em baixa de 0,58% enquanto a bolsa de Paris recuava 0,96%.
Após um dia de quedas nos principais mercados internacionais, puxadas pela expectativa de redução no preço das commodities, as bolsas da Ásia apresentaram um resultado misto nesta quinta-feira. Após chegar a acumular perdas de 6,5% durante o pregão, a maior queda desde junho do ano passado, a bolsa de Xangai fechou em alta de 1,1%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, fechou em queda de 3,47%. A bolsa de Tóquio não funcionou nesta quinta-feira por causa do feriado nacional. A queda de mais de US$ 6 no preço do barril de petróleo derrubou as ações das empresas de energia na quarta-feira, 19, e desanimou os investidores.
Também nesta quinta, os diretores dos principais bancos britânicos se reúniram com autoridades do Banco da Inglaterra (o Banco Central da Grã-Bretanha) para discutir maneiras de injetar ânimo no sistema financeiro do país após uma semana de grande volatilidade nos mercados. O encontro acontece um dia depois que as ações do Halifax, um dos maiores bancos e maior fincanciador de empréstimos do país, caíram mais de 17%. As perdas aconteceram em meio a fortes rumores de que a instituição havia solicitado fundos de emergências ao Banco da Inglaterra. Numa atitude sem precedentes, a instituição se apressou em desmentir os boatos.
Autoridade de Serviços Financeiros, (FSA, na sigla em inglês), órgão que regula o setor financeiro na Grã-Bretanha, investiga se os boatos foram espalhados propositalmente para diminuir o valor das ações. A instituição disse que "não toleraria" que operadores do mercado financeiro voltem a criar "falsos rumores" com objetivo de fazer lucros. Ainda segundo Bowler, a perspectiva é que o encontro desta quinta-feira permita ao Banco da Inglaterra injetar mais dinheiro no setor bancário, medida que está sendo tomada por bancos centrais de outros países.
Crescimento comprometido
A Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE), em relatório divulgado nesta quinta-feira, reduziu acentuadamente sua previsão de crescimento para os Estados Unidos, reforçando temores de que a maior economia do mundo está caminhando para uma recessão. A OCDE estima que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos crescerá apenas 0,1% no primeiro trimestre deste ano e que haverá um período de estagnação nos três meses seguintes.
A previsão anterior, realizada em dezembro, era de um crescimento de 0,3% e 0,4% respectivamente nos primeiros meses de 2008. Mas a organização, sediada em Paris, afirma que o crescimento dos países europeus provavelmente será menos afetado pela crise nos mercados financeiros ao redor do mundo causada pela crise de retração de crédito. O crescimento nos 15 países da chamada zona do euro para o primeiro trimestre do ano será de 0,5% e, no seguinte, 0,4%. A diferença em relação à previsão anterior é pequena (0,4% e 0,5% respectivamente).
"Na área do euro, a desaceleração foi menos abrupta, mas o crescimento deverá permanecer potencialmente mais baixo durante algum tempo, apesar de as exportações aparentemente terem se mantido, até agora, diante da apreciação do euro", disse o relatório.
A avaliação da OCDE é divulgada no dia em que diretores dos maiores bancos britânicos se reúnem com representantes do Banco da Inglaterra (banco central britânico) para discutir formas de estimular a confiança no sistema financeiro.