Bolsas de valores do mundo desabam por temor de recessão nos EUA e na Europa
Após abrir em leve baixa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ampliou as perdas nas primeiras horas de pregão. Às 12h10, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrava queda de 4,58%, aos 52.548 pontos.
Após abrir em leve baixa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ampliou as perdas nas primeiras horas de pregão. Às 12h10, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrava queda de 4,58%, aos 52.548 pontos. O comportamento do Ibovespa espelha os temores dos investidores de que Estados Unidos e os países da zona do euro entrem em recessão, que poderia fazer com que o PIB de todo o planeta também recue. Temores semelhantes davam o tom pessimista que tomou conta das bolsas internacionais.
Na Europa, o índice DAX da bolsa de valores de Frankfurt caía 6,43%, ao passo que o FTSE 100, de Londres, perdia 4,63% e o CAC 40, da bolsa parisiense, recuava 5,62%. O Ibex 35 registrava declínio de 5,63% em Madri, enquanto, em Milão, o FTSE MIB despencava 5,98%. Em Nova York, as bolsas também registram forte queda. Nasdaq caía 4,89%, Dow Jones perdia 4,23% e o S&P 500 recuava 4,56%.
O nervosismo dos mercados foi motivado, em grande parte, pelo fato de o banco Morgan Stanley ter revisado para baixo as suas previsões para o crescimento dos EUA e da zona do euro. Em relatório divulgado a clientes, a instituição disse que seus novos cálculos apontam que as duas regiões estão se aproximando perigosamente de uma recessão. - As principais razões para a redução nas projeções, além dos indicadores econômicos decepcionantes, são recentes erros políticos nos EUA e na Europa somados à perspectiva de mais aperto fiscal em 2012, afirmou o banco.
Na agenda norte-americana, os indicadores desta quinta-feira também trazem más notícias. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA apontou alta de 0,5%, acima da previsão de aumento de 0,3%. Já o Departamento do Trabalho informou que os pedidos de auxílio-desemprego subiram em 9 mil na semana até 13 de agosto, para 408 mil. Neste caso, a previsão era de alta de 5 mil, para 400 mil.
Maior risco
Na véspera, após fechado o pregão em Nova York, o banco norte-americano Morgan Stanley reduziu suas previsões de crescimento da economia mundial, observando que ela está perigosamente perto da recessão, o que refletiu diretamente na abertura dos negócios, nesta quinta-feira. A instituição financeira estima atualmente um crescimento mundial de 3,9% em 2011 (contra os 4,2% que previa até agora), e de 3,8% em 2012 (ante os 4,5% da estimativa anterior), segundo nota de análise diária transmitida aos seus clientes.
O banco de negócios revisou em baixa particularmente a previsão de crescimento para a zona do euro, que não ultrapassará 0,5% no próximo ano (em vez dos 1,2% que estimava até o momento) e que seria de 1,7% neste ano (em vez dos 2,0% previstos anteriormente). Desta forma, o Mongar Stanley mostra-se mais pessimista que o resto de seus pares, que ainda estimam um crescimento médio de 1,5% em 2012. "Embora não seja nossa hipótese de base no estado atual, percebemos um risco concreto de recessão pura e simples" na zona do euro, afirmou o banco em sua nota.
- A revisão em queda de nossas previsões ocorre após os resultados mais frágeis que o esperado do crescimento no segundo trimestre e devido a certo número de novos fatores que podem pesar sobre o crescimento no segundo semestre: desaceleração do crescimento do comércio mundial, endurecimento das condições de refinanciamento dos bancos e as novas medidas de austeridade anunciadas em vários países, disse. Neste contexto de crescimento horroroso, o Morgan Stanley estima que o Banco Central Europeu deve renunciar a elevar suas taxas e, ao mesmo tempo, deve reduzi-las no próximo ano.
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