Rio de Janeiro, 15 de Outubro de 2026

Bolsas afundam diante possível recessão

Os mercados na Europa operavam em ritmo volátil na manhã desta quinta-feira, caindo depois de abrir em alta, em linha com o Ibovespa, índice mais apurado da movimentação financeira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O índice FTSE-100, de Londres, estava em alta de 0,47% uma hora depois da abertura do pregão. Mas pelas 10h30 da manhã (07h30 em Brasília), declinou para -0,86%. O índice Cac 40, da bolsa francesa, caía em 0,80% e o Dax, de Frankfurt, em 1,89%. Dólar dispara e risco-país opera acima dos 680 pontos

Quinta, 23 de Outubro de 2008 às 10:08, por: CdB

Os mercados na Europa operavam em ritmo volátil na manhã desta quinta-feira, caindo depois de abrir em alta, em linha com o Ibovespa, índice mais apurado da movimentação financeira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O índice FTSE-100, de Londres, estava em alta de 0,47% uma hora depois da abertura do pregão. Mas pelas 10h30 da manhã (07h30 em Brasília), declinou para -0,86%. O índice Cac 40, da bolsa francesa, caía em 0,80% e o Dax, de Frankfurt, em 1,89%.

No Brasil, a Bovespa registra perdas significativas já nas primeiras horas do pregão desta quinta-feira. Os investidores estavam nervosos com a "contaminação" da economia real pela crise financeira, demonstrada a cada balanço trimestral divulgado por empresas norte-americanas e européias. O câmbio, que chegou a bater R$ 2,52 na primeira hora de negócios, cedeu para R$ 2,25 após o anúncio da maior intervenção do Banco Central desde o início da crise. O risco-país disparava, acima dos 680 pontos.

A atual tendência de queda segue o comportamento das bolsas na Ásia, onde os temores de que a crise financeira esteja levando o mundo para uma recessão continuam preocupando investidores. Em Tóquio, índice Nikkei fechou em baixa de 2,5%, apresentando uma recuperção depois de ter chegado a 7% negativos durante as operações, refletindo temores de que uma redução das exportações japonesas possa acelerar a chegada da recessão no país. A venda de veículos para os Estados Unidos, sinal de redução da demanda dos consumidores na maior economia do mundo, segundo informações da British Broadcasting Corporation (BBC).

O índice Kospi, da bolsa sul-coreana, caiu 7,4% - a queda mais baixa desde julho de 2005. Até agora, a bolsa coreana perdeu cerca de 45% no ano.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou em queda de 3,6%, registrando as maiores baixas desde abril de 2005.

A queda nas bolsas da Ásia e Oceania é seguida de mais um dia de tensões do outro lado do planeta.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou a quarta-feira em baixa de 5,7%, em 8.519 pontos, enquanto a bolsa eletrônica Nasdaq registrou uma queda ligeiramente menor, de 4,8%.

Segundo o analista da BBC Andrew Walker, as quedas agora não refletem tanto o temor imediato de mais quebras no setor bancário, como ocorreu nas últimas semanas, mas sim a preocupação dos investidores com a possibilidade de recessão em diversos países.

Informações de que o Yahoo e a empresa farmacêutica Merck estão cortando postos de emprego aumentaram ainda mais a tensão nos mercados.

Reunião do G20

A Casa Branca anunciou, na véspera, que será realizada em Washington, no dia 15 de novembro, uma reunião de cúpula para discutir a economia global, com a presença de líderes do G20, o grupo formado pelos principais países industrializados e em desenvolvimento. O objetivo do encontro será analisar a atual crise financeira e formas de evitar que ela volte a ocorrer.

– Os líderes vão avaliar os avanços que estão sendo realizados – disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

Segundo Perino, os líderes vão "chegar a um acordo sobre um conjunto de princípios em comum para reformar os sistemas regulatórios e institucionais dos setores financeiros mundiais".

Além dos líderes dos países do G20, inclusive do Brasil, o encontro deve ter a presença dos chefes do FMI e do Banco Mundial e do secretário-geral da ONU.

Antes do encontro em Washington, uma reunião de ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do G20 será realizada em São Paulo nos dias 8 e 9 de novembro.

Grã-Bretanha em crise

Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro Gordon Brown traçou um panorama sombrio da economia mundial em uma sessão no Parlamento.

– Precisamos tomar medidas sobre a recessão financeira global, que deve causar recessão nos Estados Unidos, na França, na Itália, na Alemanha, no Japão e, porque nenhum país pode se isolar disso, também na Grã-Bretanha – disse.

Os comentários de Brown ecoaram as declarações do presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, que havia advertido na terça-feira que a Grã-Bretanha "provavelmente" está entrando em uma recessão - um fenômeno definido por economistas como dois trimestres consecutivos de crescimento econômico negativo.

Na sexta-feira, o governo britânico deve divulgar um novo balanço do PIB do país, que pode confirmar o prognóstico.

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