A crise política no Brasil e os indicadores da economia norte-americana, que apontam para o desaquecimento econômico, levaram a Bolsa de Valores de São Paulo a operar em queda de 0,86%, a 34.531 pontos. O risco-país continuava subindo 2,04%, a 250 pontos, com alta de sete pontos, depois de ter ganho superior a 7% no dia anterior. O dólar, por sua vez, operava em alta de 0,18%, a R$ 2,2130, por volta de 10h50. Para André Simões Cardoso, da corretora Cenário Investimentos, o risco está subindo na maior parte dos países emergentes.
O Embi+, índice referente a esses mercados, tinha alta de três pontos básicos, a 215. Na Argentina, a alta também era de três pontos, para 363; No Equador, de 14 pontos, para 640; Na Nigéria, de oito pontos, para 479.
- No Brasil há um risco político forte e, talvez por isso, a alta seja maior que em alguns outros emergentes. Mas ontem saiu um dado mostrando que a economia americana está muito fraca e todos os mercados reagiram a isso. As bolsas asiáticas caíram e as européias também - disse o operador.
O Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), apresentou estatística na qual o índice de atividade industrial do país recuou para 0,4 em setembro, contra expectativa de 14,3 de analistas. Leituras abaixo de zero significam retração da atividade econômica.
- Parte do mercado vinha acreditando que a desaceleração da economia americana não teria reflexo grande em outros países. Há, inclusive, estudos que mostram que a correlação entre o crescimento da economia dos EUA e de outras regiões caiu de 70% para 30%. Mas agora essas teorias estão sendo questionadas - disse.
No mercado de juros futuros, contratos com vencimento em janeiro de 2008, os mais líquidos, projetavam taxa de 13,880% ao ano, com estabilidade. Quanto à crise política brasileira, o temor é de que o presidente Lula não consiga aprovar as reformas necessários em um eventual segundo mandato, em função das crises que enfrenta.
- O governo tem que refomar a CPMF, a Desvinculação de Receitas da União (DRU) e promover um forte corte de gastos. Se o governo conseguiu se estruturar em cima do aumento dos gastos, como fazer isso? - perguntou aos jornalistas.