Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

Bolsa derrete 15% e suspende operações

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) suspendeu os negócios por duas vezes, na manhã desta segunda-feira, às 10h49 e depois novamente às 11h44, após uma desvalorização de 15,06%, a mais forte das últimas décadas. O sistema conhecido como circuit braker entra em ação de hora em hora. O pânico tomou conta dos investidores diante da notícia de que grandes bancos europeus começam a quebrar, devido aos efeitos da crise dos créditos subprime. (Leia Mais)

Segunda, 06 de Outubro de 2008 às 09:42, por: CdB

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) suspendeu os negócios por duas vezes, na manhã desta segunda-feira, às 10h49 e depois novamente às 11h44, após uma desvalorização de 15,06%, a mais forte das últimas décadas. O sistema conhecido como circuit braker entra em ação de hora em hora. O pânico tomou conta dos investidores diante da notícia de que grandes bancos europeus começam a quebrar, devido aos efeitos da crise dos créditos subprime. A queda desta manhã reduz os ganhos da Bovespa dos últimos dois anos e retorna ao patamar de outubro de 2006. Na outra ponta, o câmbio disparou e o dólar, nas primeiras horas do dia, alcançou R$ 2,17, na maior marca desde novembro de 2006.

Ao chegar ao Ministério da Fazenda, o ministro Guido Mantega evitou o encontro com jornalistas. Ele chegou de São Paulo e seguiu para o trabalho mas, dessa vez, optou pela entrada de garagem. A Bovespa segue a tendência do mercado acionário internacional que opera em forte baixa, com a sensação cada vez mais visível de que a economia global se encaminha para recessão. Ao cair 15,06% de queda, o Ibovespa atingiu os 37.814 pontos, no menor nível desde outubro de 2006. O giro financeiro da sessão alcançava R$ 1,45 bilhão.

Não bastasse o temor de quebradeira do sistema bancário norte-americano, medo que não se dispersou mesmo com a aprovação de um pacote de US$ 700 bilhões do governo pela Câmara dos Deputados na sexta-feira, os investidores ainda viam mais instituições da Europa perto do colapso. O governo alemão e bancos anunciaram um acordo para resgate do Hypo Real Estate, com uma injeção de US$ 20,8 bilhões, além dos 35 bilhões de euros que já estava acordado junto com o Bundesbank, o banco central alemão.

Diante disso, autoridades da União Européia, que haviam inicialmente rejeitado a possibilidade de adotar um pacote de ajuda similar ao do governo dos EUA mudavam o discurso. Com um horizonte de crise cada vez mais longa e profunda, bancos já passavam a prever queda nos resultados da maioria das empresas de atuação global, especialmente nas ligadas a commodities.

– Acabamos sofrendo até mais, porque na Bovespa as commodities têm um peso muito forte – disse Pedro Galdi, analista de investimento da SLW corretora.

O UBS Pactual, num relatório prevendo recessão global em 2009, com reflexos sobre 2010, promoveu forte redução do preço-alvo das ações de empresas brasileiras de siderurgia e mineração. A Companhia Siderúrgica Nacional, um das que tiveram a projeção de preço-alvo reduzida pelo banco, despencava 26,1%, para R$ 26,35. Vale, também citada, derretia 18,8%, para R$ 23,50.

– O nervosismo prevalece independentemente de qualquer outra sensação – disse Junior Hydalgo, operador da corretora InTrader.

O medo está por trás das decisões financeiras, avalia Jurandir Sell Macedo Junior, em conversa com jornalistas pela manhã. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Macedo Júnior adverte que os pequenos investidores são os principais reféns dos acontecimentos e sucumbem ao que se convencionou chamar de Efeito Manada. Sem saber exatamente o que fazer, todos correm na mesma direção, sem saber onde vai parar.

– Grande parte dos investidores que aplicam em ações atualmente só viveu o período de alta e somente contava com os lucros. Diante de uma crise, naturalmente acaba se assustando e tem vontade de fugir, sair correndo. Se fizer isso, vai se machucar – explica.

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