Fortes emoções dominaram o mercado, nesta quinta-feira, com o retorno do dólar à casa dos R$ 3 e a queda na Bolsa de Valores na Bolsa de Valores de São Paulo em mais de 4%, sem contar a alta mundial no preço do petróleo, que chegou ao seu nível mais alto nos últimos 13 anos, a US$ 39,97 o barril .
Na noite anterior, senadores rejeitaram a medida provisória que proibia o funcionamento dos bingos no Brasil, colocando em dúvida a habilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para levar adiante novos projetos no Congresso.
- Aqui dentro pesa o caso dos bingos que o governo perdeu, não tanto pelo assunto, mas pela derrota - disse Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Senior.
Com a queda desta quinta-feira, o mercado acionário paulista abandonou definitivamente a tentativa de recuperação exibida nos últimos três pregões.
O dólar subiu 1,32% e fechou vendido a R$ 2,994. Minutos antes do fechamento, a moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 3.
- O ambiente político não está bom e o ambiente externo também não está colaborando positivamente. Então, na dúvida, o negócio é comprar dólares mesmo - disse Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper no Rio de Janeiro.
Enquanto os títulos da dívida brasileira tinham forte baixa - o Global 40 despencava quase 3% - o risco Brasil medido pelo JP Morgan disparava acima dos 700 pontos-básicos.
Petróleo mais caro
O temor de novos atentados terroristas e dificuldades no abastecimento internacional elevaram o preço do petróleo, nesta quinta, a níveis de 13 anos atrás. O aumento da violência no Oriente Médio e, principalmente no Iraque, somou-se às preocupações do o agravamento da crise na Nigéria, um dos maiores países fornecedores para o Brasil, além de problemas no embarque de barris em porto na Geórgia.
Em Nova York, o petroleo do tipo cru leve já se aproxima de US$ 40. O barril para entrega em junho, o contrato mais negociado, chegou nesta quarta-feira a US$ 39,74, encerrando o dia com alta de US$ 0,59, a US$ 39,57. Foi o fechamento mais alto desde 12 de outubro de 1990, antes do início da Guerra do Golfo em janeiro de 1991.
Já o barril do óleo Brent para junho, negociado em Londres, fechou hoje com alta de US$ 0,79, a US$ 36,72. Durante a jornada, chegou na casa dos US$ 36,90.
De acordo com especialistas, o mercado está mais preocupado com as incertezas geopolíticas do que com o nível de reservas nos EUA.
Teme-se que o aumento da violência no Oriente Médio possa criar problemas no abastecimento.
No final de semana, militantes islâmicos mataram a tiros funcionários de uma companhia de prospecção na cidade saudita de Yanbu. Dez dias antes, forças dos EUA enfrentaram uma missão suicida no terminal exportador de petróleo em Basra, no Iraque.
Nos EUA, a demanda por combustível continua crescendo fortemente, de acordo com os números do Departamento de Energia e do Instituto Americano do Petróleo divulgados hoje. O consumo nas últimas quatro semanas ficou na casa de 9,1 milhões de barris por dia, ou 3,8% a mais em relação ao mesmo período do ano passado.
África em chamas
Na Nigéria, a polícia informou que centenas de muçulmanos foram mortos pela milícia cristã em uma luta étnica na cidade de Yelwa, na parte central do país. Embora a localidade seja distante das instalações petrolíferas nigerianas, a violência gerou temores de possíveis problemas na distribuição por parte do maior produtor africano de óleo.
Na Geórgia, teme-se que possa haver interrupções na distribuição diária de 200 mil barris no terminal exportador de Batumi, no Mar Negro. O ministro da Defesa do país, Gela Bezhuashvili, disse a uma televisão local que o terminal da região de Adzhara havia sido minado.
Ele não esclareceu quem pôs os explosivos, mas o líder rebelde Aslan Abashidze atualmente está com o controle da região.
Preç