Temores sobre um possível aumento da taxa básica de juros norte-americana provocaram forte queda na Bolsa de Valores de São Paulo e alta do dólar nesta quinta-feira. A Bolsa teve um dia tenso e chegou cair mais de 4% perto do fim da sessão, com investidores ampliando o movimento de vendas pelo terceiro dia seguido.
O principal indicador da bolsa paulista fechou com recuo de 3,1%, para 29.227 pontos, com um forte volume de negócios, R$ 2,45 bilhões. A média diária de setembro foi R$ 1,7 bilhão. Somente três dos 57 papéis do Ibovespa subiram, Net, Eletrobrás e Acesita. Em três dias, o índice caiu mais de 8%. Os investidores estão aproveitando comentários de integrantes do Fed (o BC norte-americano) que indicam aumento do juro nos Estado Unidos para embolsar parte dos ganhos conquistados nos últimos três meses, quando a bolsa subiu 26%.
Câmbio
O dólar subiu mesmo sem o Banco Central realizar leilão de compra. A moeda norte-americana encerrou em alta de 1%, cotada a R$ 2,292. Na máxima, a divisa chegou a avançar 1,50%, para R$ 2,303.
- A gente está percebendo nos últimos dias que o mercado da dívida começou a realizar, a reverter posições nos títulos de emergentes por conta da probabilidade maior de aumento de juros nos Estados Unidos por causa das pressões inflacionárias - comentou a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares.
Nesta tarde, os títulos da dívida externa brasileira perdiam força, com os preços do Global 40 caindo mais de 2%. O risco-país, medido pelo banco JP Morgan, subia 21 pontos, para 386 pontos-básicos sobre os Treasuries. Para Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez, "parece que está tendo uma aversão a mercados de emergentes... o mercado lá fora sentiu bastante essa preocupação maior com a inflação nos EUA".
O presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher, voltou a afirmar nesta quinta-feira que o núcleo da inflação norte-americana está perto do limite superior de tolerância do Fed. Carvalho explicou que a preocupação do mercado não é de que haja uma aceleração no ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos, mas sim de que a política de elevação dos juros seja mantida por mais tempo.
- E aí o cenário mundial tem um crescimento menor - disse o gerente, acrescentando que o mercado passou a acompanhar nesta sessão outros fatores de pressão no câmbio além das compras do Banco Central. Nas últimas sessões, os leilões de compra de dólares do Banco Central fizeram o dólar assumir uma curva de subida frente ao real, mesmo com a continuidade de ingresso de recursos. Este foi o primeiro dia da semana em que a autoridade monetária ficou de fora do mercado.
Os analistas acreditam que o BC não atuou para não aumentar ainda mais a pressão no real, especialmente porque a autoridade monetária trabalha com o objetivo de recompor reservas internacionais e não de corrigir para cima a taxa do dólar.