O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, confirmou, nesta sexta-feira, a suspensão temporaria a ordem de confiscar as receitas das refinarias da Petrobras no país. Para surpresa do governo boliviano, Andres Sólis Rada, ministro do Hidrocarbonetos e Energia da Bolívia renunciou ao cargo.
-Estamos suspendendo temporariamente uma resolução ministerial como um sinal para avançar no diálogo com a Petrobras-, afirmou García Linera, durante entrevista coletiva em La Paz. Linera exerce interinamente a Presidência boliviana durante a ausência do presidente Evo Morales.
O governo boliviano recuou depois que a decisão foi bombardeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos executivos da Petrobras. Na coletiva, García Linera disse que decidiu "congelar" a resolução ministerial "para facilitar as negociações" e acrescentou que a reposição da norma "dependerá de como seguirão" essas conversas.
Segundo o presidente em exercício, a suspensão da ordem não signfica um retrocesso na nacionalização dos hidrocarbonetos. "A nacionalização vai adiante. O que estamos analisando são os prazos para a aplicação de acordo com as empresas", especificou.
Para confiscar as receitas das refinarias, a Bolívia decidiu transformá-las em prestadoras de serviço. A resolução, que aconteceu na última terça-feira, gerou um impasse dentro do governo brasileiro, que ficou sabendo da notícia por meio dos jornais bolivianos.
Imediatamente, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, decidiram cancelar a viagem que fariam para La Paz na sexta-feira com o objetivo de discutir a exploração e distribuição de gás.
Andres Sólis Rada, renunciou de forma irrevogável, segundo carta enviada ao presidente Evo Morales. O ministro condenava o projeto de nacionalização dos hidrocarbonetos e era um dos maiores críticos da atuação da Pedtrobrás no país.
Bolívia recua e ministro boliviano renuncia
Sexta, 15 de Setembro de 2006 às 17:48, por: CdB