Rio de Janeiro, 05 de Abril de 2026

Bolívia recua e cai o preço do gás para o Brasil

Quinta, 13 de Julho de 2006 às 09:12, por: CdB

A petrolífera estatal boliviana YPFB divulgou nesta quinta-feira a proposta para o aumento do gás natural que vende à Petrobras, com preço menor do que o que havia sido aventado anteriormente pelo governo do país. A negociação se iniciou ontem e pode durar até dezembro, segundo fontes oficiais. A proposta foi apresentada em uma reunião técnica das petroleiras estatais da Bolívia e do Brasil em Santa Cruz de la Sierra, disse o presidente da YPFB, Jorge Alvarado.

- Segundo a nova fórmula, o preço será agora de US$ 5 (por milhão de BTU, a unidade-padrão) - disse ele.

Esse valor substituiria os US$ 4 em vigor desde o começo de julho, de acordo com a atual fórmula, que se baseia em cesta internacional de combustíveis. Presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli disse porém que a fórmula atual será mantida até 2019. Um porta-voz da YPFB acrescentou que a reunião de Santa Cruz durará dois dias e que não está previsto o anúncio imediato do acordo, pois há uma reunião posterior programada para acontecer no Brasil.

Alvarado admitiu que, embora esteja correndo desde o fim de junho prazo de 45 dias para que a YPFB e a Petrobras cheguem a um acordo sem arbitragem, "é provável que ambas as partes decidam prolongar suas conversações até dezembro".

Isso adiaria a definição do novo preço do gás boliviano até depois das eleições, em 1º de outubro, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é candidato à reeleição.

- A negociação é complicada, Lula se coloca de forma dura porque não quer perder votos - disse na quarta-feira o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz, segundo quem a Bolívia quer valor mínimo de US$ 7,50 por milhão de BTU.

Para Gabrielli, no entanto, a empresa não leva em conta "a possibilidade de quebra de contrato".

- Tudo é possível. Estou negociando com a Bolívia. Vou continuar negociando em termos técnicos. Não há por que mudar. O contrato diz, de forma muita clara, que as partes podem pedir para negociar qualquer assunto. Não vou dizer que há impasse - afirmou.

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