O presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Lozada, anunciou na noite da última quarta-feira que a coalizão que governa o país chegou a um acordo para a realização de um referendo sobre a exportação de gás, origem da convulsão social que sacode a Bolívia há semanas.
Sánchez de Lozada também revisará a lei de combustíveis, 'em um processo acertado com as companhias de petróleo', e promoverá a incorporação da figura da 'Assembléia Constituinte ao regime constitucional'.
Logo após o anúncio, o líder opositor Evo Morales e o chefe indígena Felipe Quispe consideraram insuficiente a proposta e reafirmaram sua exigência de renúncia de Sánchez de Lozada.
Morales (do Movimento ao Socialismo) e Quispe disseram que a única saída para a crise é a renúncia do presidente. A proposta foi qualificada de 'brincadeira' pelos dois opositores.
Um projeto para exportar gás pelo Chile para Estados Unidos e México, em condições consideradas desvantajosas por várias organizações bolivianas, foi o estopim da convulsão social que já custou a vida de 86 pessoas.
As novas propostas foram apresentadas pelo presidente em rede nacional de rádio e televisão, após intensas reuniões durante esta quarta-feira com os dirigentes da Nova Força Republicana (NFR/centro direita) e do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR/social democrata), que integram a aliança de governo.
Sánchez de Lozada apareceu na TV ao lado dos líderes do MIR e NFR, o ex-presidente Jaime Paz Zamora e Manfred Reyes Villa.
As reuniões foram realizadas em La Paz, onde persistem os protestos, que também sacodem as cidades de Cochabamba, Sucre e Oruro, entre outras.
O texto assinala que apesar das propostas do governo, 'os protestos continuam, com evidente objetivo político destinado a acabar com o regime constitucional'.
Bolívia quer referendo sobre venda de gás
Quarta, 15 de Outubro de 2003 às 23:46, por: CdB