O governo boliviano começou a implementar, nesta terça-feira, um plano para poupar energia elétrica no país, mas negou que pretenda importar Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) durante o inverno, conforme publicou, na véspera, o jornal La Razón, de La Paz.
Em sua manchete, o jornal afirmou que faltará GLP e informou, atribuindo o dado a um documento do Ministério de Hidrocarbonetros, que durante o período de baixa temperatura ocorrerá déficit de 5,9 mil botijões de gás por dia.
A assessoria de imprensa do ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, negou a escassez do produto e destacou o lançamento do chamado Plano Nacional de Eficiência Energética, também batizado de revolução energética.
Este plano foi lançado pelo presidente Evo Morales, dando início à distribuição de 5,8 milhões de lâmpadas de baixo consumo em La Paz, Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra. Segundo assessores de Villegas, responsável pelo setor energético na Bolívia, o objetivo é incentivar a cultura da redução de gasto de energia.
Alternativa Bolivariana
De acordo com o governo de Evo Morales, a medida não representa a ameaça de uma crise, e o objetivo é estimular o uso correto de eletricidade. Segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI), que é oficial, as lâmpadas são de fabricação chinesa e foram financiadas pelo programa Tratado de Comércio dos Povos-Alternativa Bolivariana das Américas (TCP-Alba). Segundo assessoria do Ministério de Hidrocarbonetos, isso significa que o plano é financiado pela Venezuela.
Este acordo foi assinado em 2006 pelos governos da Venezuela, da Bolívia e de Cuba. A Alba foi iniciativa do presidente venezuelano, Hugo Chávez, apresentada em 2001 como alternativa ao projeto da Alca (Área de Livre Comércio das Américas).
Ainda de acordo com a ABI, estima-se que cada família economizará em torno de 30% mensais no consumo de energia elétrica graças à troca de lâmpadas. O plano leva o slogan oficial – eletricidade para viver com dignidade – para reduzir o consumo de energia, mantendo os mesmos serviços energéticos, sem diminuir a qualidade de vida e protegendo o meio ambiente, além de garantir o abastecimento e estimular um comportamento correto de energia.
A campanha do governo Morales foi lançada menos de um mês após o encontro que teve com os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Cristina Kirchner, para tentar fechar a equação da escassez de gás e queda na produção – de acordo com dados da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos – e a distribuição do produto entre os três países.
Segundo a assessoria do ministro Villegas, a energia na Bolívia é gerada através de hidrelétricas e termoelétricas, dependente de gás.