O Senado da Bolívia aprovou, na noite desta terça-feira, o polêmico projeto de reforma agrária proposto pelo presidente Evo Morales e, na manhã desta quarta, manifestantes comemoraram junto ao palácio presidencial a decisão que "inicia uma revolução social" na Bolívia, disse Evo. A aprovação encerrou uma semana de impasse entre o presidente e senadores de oposição. Os opositores do presidente boliviano usavam sua maioria no Senado para bloquear a votação.
A proposta foi aprovada depois que três senadores de oposição, contrariando a determinação de seu partido conservador, votaram a favor do projeto. A oposição acusou Morales de manipular seus apoiadores indígenas para levar a cabo reformas polêmicas. As reformas poderão levar à redistribuição de mais de 200 mil quilômetros quadrados de terras consideradas improdutivas. Evo chegou a ameaçar fechar o senado e impor a lei por decreto presidencial caso não fosse aprovada nesta terça-feira.
Milhares de indígenas, vindos de diversas partes da Bolívia, marcharam a pé até La Paz para pressionar os congressistas a aprovarem a lei. O projeto, chamado Lei de Terras, já tinha a aprovação da Câmara dos Deputados, onde o governo tem a maioria.