Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Bolívia espera levantar estado de sítio caso oposição negocie

O governo da Bolívia e o principal líder da oposição expressaram neste sábado esperanças de reconciliação, após negociações durante toda a noite para conter a onda de violência que matou ao menos 17 pessoas e levou à declaração de estado de sítio. O presidente Evo Morales abriu as negociações para contornar as disputas de poder entre governadores que se opõem às suas reformas socialistas e querem maior fatia da arrecadação do setor de energia. (Leia Mais)

Sábado, 13 de Setembro de 2008 às 15:54, por: CdB

O governo da Bolívia e o principal líder da oposição expressaram neste sábado esperanças de reconciliação, após negociações durante toda a noite para conter a onda de violência que matou ao menos 17 pessoas e levou à declaração de estado de sítio. O presidente Evo Morales abriu as negociações para contornar as disputas de poder entre governadores que se opõem às suas reformas socialistas e querem maior fatia da arrecadação do setor de energia.

O governo do país sul-americano declarou estado de sítio no fim da sexta-feira em Pando, uma região remota da Amazônia, que foi o cenário dos piores incidentes de violência. Evo disse neste sábado não haver motivo para ampliar o estado de sítio para outras regiões. Um marinheiro e um civil foram mortos nos conflitos quando o Exército tomou o controle do aeroporto da capital de Pando, Cobija, dos manifestantes, disse o ministro Ramón Quintana.

– Hoje, as Forças Armadas vão ter que usar táticas de combate urbano para remover esses grupos armados (de manifestantes) – disse Quintana.

Mario Cossío, o governador da província de Tarija, que é rica em gás natural, participou de negociações no palácio presidencial com o vice-presidente até a madrugada.

– Nós conseguimos o objetivo de iniciar negociações e vamos esperar que nas próximas horas isso se transforme em um processo de diálogo que resulte em um pacto para resolver os problemas para a reconciliação nacional – acrescentou Cossío.

Cossío planejava discutir com três outros governadores da oposição antes de novos encontros no domingo, mas não estava claro se eles iriam participar dos esforços para a reconciliação.

– Nem o presidente nem as Forças Armadas vão conseguir o que eles querem... Nós vamos dar a nossa vida lutando – disse o governador de Pando, Leopoldo Fernández.

Autoridades disseram que ao menos 15 pessoas - a maioria camponeses pró-governo -  foram mortas nos conflitos na quinta-feira contra os militantes do governo regional de oposição.

Estado de sítio

O governo da Bolívia decretou estado de sítio no distrito amazônico de Pando, onde segundo autoridades intensificaram-se os protestos contra os planos socialistas do presidente Evo e deixaram ao menos dez mortos. O decreto foi lido pelo ministro da Defesa, Walker San Miguel, em entrevista coletiva no Palácio de Governo.

– A violência promovida e financiada por grupos racistas delinquentes em Pando causou crimes de lesa humanidade provocando a morte de cidadãos e a tomada violenta de instituições públicas e privadas – disse San Miguel.

Os protestos ocorrem em reação aos planos do presidente socialista. A oposição de direita está apoiada nos distritos da região oriental do país, nos quais se iniciaram processos de autonomia em oposição à nova carta magna, que aprofundaria a nacionalização dos recursos naturais e daria mais poder à maioria indígena. San Miguel disse que a situação em Pando, com uma população de cerca de 100 mil habitantes e situado ao norte, na fronteira com Brasil e Peru, é de divisão interna.

Com o estado de sítio em Pando, fica proibido o trânsito de mais de três pessoas juntas e todo veículo motorizado entre a meia-noite local (1h em Brasília) e as 6 horas.

Além disso, "fica proibida a organização de reuniões políticas, comícios, manifestações, greves e bloqueios de rua" na região de Pando, informou San Miguel.

O ministro de Governo, Alfredo Rada, disse na mesma coletiva de imprensa que o que se produziu em Pando é "uma verdadeira situação de massacre".

– Cada hora que passa, as emissoras de rádio e os meios de comunicação reportam um número crescente de vítimas fatais. Os cadáveres que estão no necrotério de Cobija vão se acumulando e outros cadáveres são encontrados no monte ou no rio – disse o funcionário a jornalistas.

Rada não mencionou uma nova cifra de mortos, mas as rádios falam em ao menos 14 vítimas. O escritório da Anistia Internacional no Chile manifestou em um comunicado preocupação com a situação dos direitos humanos na Bolívia devido à escalada da violência.

– A intervenção do governo é essencial para manter as regras do direito na Bolívia e devem ser executadas com todo o respeito aos direitos humanos – disse Susan Lee, diretora para as Américas da Anistia Internacional.

Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez telefonou ao colega Evo Morales e se solidarizou com o socialista. Ele garantiu todo o apoio humanitário e militar à Bolívia, caso seja solicitado, formalmente, pelo mandatário boliviano.

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