A Bolívia admitiu nesta sexta-feira uma eventual desvantagem na negociação das vendas de gás natural para o Brasil com a descoberta de uma importante reserva do produto na Bacia de Santos, no litoral paulista.
- Isso nos coloca em uma situação mais delicada, ainda que não nos afete com uma revisão do preço, pois existe um contrato que deve ser cumprido; mas não podemos ficar cegos e temos que ser mais flexíveis -declarou o ministro boliviano de Hidrocarboneto, Jorge Berindoague, segundo a agência de notícias Jatha.
A Petrobras anunciou nesta quinta-feira a descoberta de uma grande jazida de gás natural na bacia de Santos, litoral paulista, que permitirá o aumento das reservas nacionais para 419 bilhões de metros cúbicos de gás, um número muito maior do que a capacidade anterior, de 70 bilhões de metros cúbicos.
O anúncio foi feito durante uma fase difícil da negociação entre o Brasil e a Bolívia sobre o preço e o volume do contrato, que envia 30 milhões de metros cúbicos de gás natural por diapara o Brasil.
Os dois países assinaram um acordo em 1996, que originalmente previa a compra de 20 milhões de metros cúbicos de gás boliviano pelo Brasil, mas depois de quatro anos, a remessa foi aumentada para 30 milhões.
Mas dificuldades brasileiras para a expansão do uso do gás em sua matriz energética impediram que as importações do combustível boliviano, que começaram em 1999, superassem o volume de 12 milhões de metros cúbicos diários.
O Brasil propôs à Bolívia, há seis meses, uma diminuição no preço estabelecido no contrato, sob o compromisso de aumentar a atual demanda, mas os dois países não chegaram a um acordo. Está prevista para meados de setembro uma nova rodada de negociações.
Berindoague disse desconhecer se a descoberta da jazida de Santos causará algum adiamento no calendário da negociação.