Por Agência Estado 12/05/2011 às 00:43
"Ver circuit breakers serem acionados em qualquer mercado tende a fazer crescer o nervosismo em outros mercados", disse Larson.
Bolsa de NY fecha em queda em reação a commodities
Dow Jones fechou em queda de 1,02%, Nasdaq cedeu 0,93% e S&P-500 recuou 1,11%
11 de maio de 2011 | 18h 02
Renato Martins, da Agência Estado
SÃO PAULO - O mercado norte-americano de ações fechou em queda, com o índice S&P-500 registrando sua maior queda em um único dia desde 16 de março. O Nasdaq teve sua maior queda desde 18 de abril. As ações do setor de energia estavam entre as que mais caíram, em dia de queda forte dos preços do petróleo.
"É uma ''tempestade perfeita'' para vender, neste momento", disse o corretor Ryan Larson, da RBC Global Asset Management; ele citou como fatores para a queda os dados dos estoques de petróleo dos EUA na semana passada, o recuo do euro, devido às preocupações quanto às dívidas da Grécia e de Portugal, e a alta do dólar.
Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), os negócios com contratos futuros de petróleo e derivados chegaram a ser suspensos por cinco minutos no fim da manhã, quando a queda dos preços da gasolina ultrapassou seu limite. "Ver circuit breakers serem acionados em qualquer mercado tende a fazer crescer o nervosismo em outros mercados", disse Larson.
Entre as componentes do índice Dow Jones, o destaque negativo foi Disney, com queda de 5,44%, em reação a seu informe de resultados do primeiro trimestre, divulgado ontem depois do fechamento. As ações da Intel subiram 1,65%, depois de a empresa anunciar um aumento de 16% nos dividendos.
As ações do American International Group (AIG) subiram 7,7%, depois de a seguradora anunciar uma oferta de US$ 8,89 bilhões em ações. No setor de petróleo, as ações da ExxonMobil caíram 2,11%, as da Chevron recuaram 2,01%, as da Halliburton perderam 4,05% e as da Cabot Oil tiveram uma baixa de 5,74%. No setor de tecnologia, as ações da Cisco Systems, que divulgaria seu informe de resultados do segundo trimestre depois do fechamento, recuaram 0,06%.
O índice Dow Jones fechou em queda de 103,33 pontos (-1,02%), em 12.630,03 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 26,83 pontos (-0,93%), em 2.845,06 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 15,08 pontos (-1,11%), em 1.342,08 pontos. O NYSE Composite fechou em queda de 122,30 pontos (-1,43%), em 8.428,09 pontos.
As quedas dos preços das commodities e das ações alimentaram a demanda por títulos do Tesouro dos EUA, cujos preços subiram, com correspondente baixa nos juros. "O derretimento dos mercados de risco parece ter feito crescer o apetite por ativos mais seguros e os Treasuries continuam a ser os principais beneficiários desse movimento de compra", disse o estrategista George Gonçalves, da Nomura Securities International.
No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 4,312%, de 4,344% ontem; o juro das T-notes de 10 anos estava em 3,165%, de 3,208% ontem; o juro das T-notes de 2 anos estava em 0,545%, de 0,597% ontem. As informações são da Dow Jones.
http://economia.estadao.com.br/noticias/ae-mercados,bolsa-de-ny-fecha-em-queda-em-reacao-a-commodities,66580,0.htm
BCs temem bolha com queda das commodities
Na última semana o petróleo registrou a maior queda em termos absolutos da história.
08 de maio de 2011 | 16h 17
Jamil Chade, O Estado de S. Paulo
BASILEIA - Xerifes das finanças internacionais temem que a correção nos preços de matérias primas na semana passada possa ser um primeiro e perigoso sinal do potencial estouro de uma bolha de commodities, representando um "alto risco" para a recuperação da economia mundial e escancarando a atuação de especuladores nos mercado de energia e alimentos. Essa é a avaliação de alguns dos principais Bancos Centrais do mundo que começaram hoje, na Basileia, uma avaliação completa da situação da economia mundial durante reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
No final da semana passada uma correção no mercado de commodities afetou preços de uma gama de produtos, do cobre ao algodão. O petróleo registrou a maior queda em termos absolutos da história. Em apenas um dia, o barril perdeu US$ 12,00. Na semana, a prata perdeu 30% de seu valor, na maior queda em quase 30 anos. O Financial Times chegou a classificar a queda de "épica" e, não por acaso, entre alguns representantes de BCs, a ordem é de manter vigilância total em relação aos acontecimentos diante do que poderia ser mais uma bolha.
Para alguns, a ameaça de um "pouso forçado" existe em relação ao comportamento do mercado de commodities. O impacto seria sentido acima de tudo em economias exportadoras de matérias-primas. Parte da recuperação de alguns desses mercados partiu exatamente por conta da renda gerada com as exportações de commodities.
Segundo dados do Instituto de Finanças Internacionais, foram os altos preços de commodities que promoveram uma recuperação rápida na América Latina após a crise de 2009. A entidade, que representa os bancos privados, apontam que as commodities representam hoje 50% das exportações da região e que foi justamente esse fator que permitiu que os termos de troca do continente tivessem uma alta de 6% em 2010.
No BC brasileiro, porém, esse pouso forçado e eventuais perdas diante da queda abrupta dos preços não faz parte das previsões.
A reunião na Basileia ocorre a portas fechadas e os presidente das instituições são orientados a não revelar o conteúdo das conversas. "Não posso falar nada", disse o presidente do BC chileno, José de Gregório. O Chile vinha sustentando parte de sua expansão na alta dos preços de cobre.
A reunião ainda conta com representantes do Fed, Alexandre Tombini, presidente do Banco Central brasileiro, e Jean Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu.
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+geral,bcs-temem-bolha-com-queda-das-commodities,65986,0.htm