Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Bola pro mato

Por Gustavo Barreto - Aproveitando o clima futebolístico que ganhou o Palácio do Planalto com a eleição do corintiano, vascaíno e, nas horas vagas, flamenguista Luis Inácio Lula da Silva, vamos entrar no jogo, com muito "fair play", e tentar organizar a casa. (Leia Mais)

Terça, 03 de Fevereiro de 2004 às 06:42, por: CdB

Aproveitando o clima futebolístico que ganhou o Palácio do Planalto com a eleição do corintiano, vascaíno e, nas horas vagas, flamenguista Luis Inácio Lula da Silva, vamos entrar no jogo, com muito "fair play", e tentar organizar a casa.

Estamos nos 25 do primeiro tempo. Jogo duro: o campo não ajuda. Muita lama, muito buraco. O juiz, nem precisa dizer. Deve ter levado algum por fora para deixar tanta falta passar sem nem um amarelo. Quando é do nosso time, vem logo um vermelho.

O time é bom, dizem, mas está mal escalado. Posicionamento confuso dentro de campo, má distribuição das jogadas. Para piorar, o técnico deixa os craques no banco. Logo os que conseguiram levar a equipe, de forma inédita, à primeira divisão ficaram de fora. Na última hora, contrataram um time peso pesado - e o preço não foi nada barato. Terá algum retorno?

O susto de ter levado dois gols no começo do jogo ainda assusta. Os mais céticos já deixaram o estádio, apesar de o preço do ingresso não ter sido barato. Outros dão gritos de incentivo incondicional, já quase perdendo a voz. É preciso animar os garotos, afirmam. Até o final do primeiro tempo, sabe-se que é impossível virar a partida. Porém, se desse para fazer pelo menos um gol, seria ótimo. O gás seria outro.

Os gritos de olé da torcida adversária mexem com a gente. Deixa eles gritarem agora: é de conhecimento de todos que o jogo só termina quando o juiz apita. Se bem que esse juiz me lembra aquele técnico que se gabava por ter nove dos onze jogadores na Seleção Brasileira. O técnico rival muito calmamente adverte: "E daí? Nosso time tem 11 jogadores, um juiz e dois bandeirinhas".

De qualquer forma, temos todo o segundo tempo pela frente. No intervalo, contudo, os torcedores sempre dão aquela refletida: seria hora de deixar o estádio? Lembra campeonato passado? Pois é, não deu certo. O time todo desentrosado, cada um pensando em si. Futebol, como se sabe, é união. Trata-se de um esporte coletivo.

Agora a história é outra, como declarou Valdyr Espinosa, técnico do Fluminense: "Com os jogadores que temos, só podemos jogar de maneira ofensiva. Mas é necessário que o time não cometa erros quando está com a posse de bola".

Torcida é assim mesmo: quer resultado. Não dispensa um bom espetáculo, mas, no desespero, o feijão-com-arroz já basta. E o Lula, jogador experiente e bom de bola, deveria ouvir atenciosamente o último recado de Espinosa, que perdeu de virada, ontem, para o Flamengo: "Todos os gols do adversário se originaram de erros nossos. Não tiro o mérito de nosso adversário, mas além disso ainda relaxamos quando fizemos 3 a 1".

O meia Ramon, também do Flu, que certamente estava pensando em nosso país, aconselhou: "Enquanto nosso time criou várias chances de gol, o adversário marcou os seus em falhas nossas". 

Gustavo Barreto é editor da revista Consciência.Net (www.consciencia.net)

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