Os astrônomos deram uma boa notícia na sexta-feira: eles têm o dobro de certeza do que antes de que o Universo não vai se desintegrar.
Mas pesquisadores alertaram que, se realmente queremos saber o que vai acontecer, os Estados Unidos precisam continuar cuidando do Telescópio Orbital Hubble ou construir um substituto para ele rapidamente.
A equipe do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, em Baltimore (EUA), disse ter descoberto mais evidências sobre uma força misteriosa chamada energia negra.
Descoberta há apenas seis anos, a energia negra pode constituir até 70 por cento do Universo. Aí está a chave para o futuro do cosmo, dependendo da sua força e constância.
A única forma que os cientistas na Terra têm para aprender a respeito é pela observação indireta. Eles usam o Hubble para examinar as supernovas mais antigas e distantes que encontram e medem a luz que vem delas.
Por causa das distâncias astronômicas, a luz de uma supernova que explodiu há bilhões de anos só agora está chegando à vizinhança da Terra, e sua cor avermelhada pode revelar aos cientistas a velocidade da sua aceleração naquela época. Isso dá pistas sobre a expansão do Universo e sua idade.
``Em 1998 detectamos pela primeira vez que o Universo estava acelerando e estava aparentemente sendo conduzido para esse estado por essa tão misteriosa energia negra, que parece formar 70 por cento do Universo'', disse o astrônomo Adam Reiss a jornalistas. ``Isso pegou todos nós de surpresa. Realmente não entendemos o que é isso.''
Uma esperança é que aí esteja a explicação para a teoria da constante cosmológica, formulada por Albert Einstein -- um número capaz de prever se o Universo vai ser destruído em uma ''amassada'', se ele vai ser ``rasgado'' ou se simplesmente será arrastado continuamente até que as galáxias fiquem tão distantes que não possam ser vistas entre si -- o que faria com que as noites do futuro não tenham mais estrelas.
``Neste momento temos o dobro de confiança do que antes de que a constante cosmológica de Einstein é real, ou pelo menos de que a energia negra não parece estar mudando rápido o suficiente (se é que está) para provocar o fim do Universo em breve'', disse Reiss.
Ele e seus colegas vão divulgar um estudo na versão online da revista Astrophysical Journal para explicar suas descobertas.
``Se Einstein estava certo e se a energia negra continua com sua força por todo o tempo, o Universo vai se expandir para sempre'', afirmou.
Embora isso pareça mais agradável do que pensar em sermos ''rasgados'' ou ``amassados'', também pode significar um futuro frio, escuro e solitário. Não que isso importe muito aos humanos, pois só vai acontecer dentro de 55 bilhões de anos.
Mesmo assim, é reconfortante saber o que vem por aí, e os pesquisadores ficaram chocados em descobrir que, com a suspensão das missões dos ônibus espaciais da Nasa, o telescópio orbital Hubble pode estar condenado à morte.
Reiss disse que o telescópio, ou um substituto à altura, é crucial para o trabalho de seu grupo. ``Estamos chegando a supernovas de brilho muito, muito fraco, e não podemos fazer isso daqui da Terra'', disse ele. ``Estou esperançoso de que o Hubble dure mais, e também para que continuemos colhendo esse tipo de dados.''