O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Furlan, anunciou hoje, durante seu discurso na abertura da Couromoda 2003, que o governo vai ampliar as linhas de crédito de exportação do BNDES Exim no valor até US$ 100 mil, voltadas para pequenas e médias empresas. "A prioridade do governo é a geração de empregos e o atalho para isso é a ampliação das exportações", afirmou, em seu discurso. "O governo deve correr mais riscos com as pequenas e médias empresas", disse. Furlan afirmou ainda que o governo estuda a possibilidade de implementar um programa similar ao "Moder Frota", para reaparelhamento de pequenas e médias empresas. "Usaremos os recursos para que as empresas tenham capital de giro e possam se reaparelhar, como aconteceu com o Moder Frota, o programa fantástico do Ministério da Agricultura que permitiu o aumento da produtividade do setor em mais de 30%", informou. O ministro não quis revelar detalhes sobre seu anúncio e já deixou o Anhembi, em São Paulo, onde a feira é realizada, com destino a Campinas. "Os detalhes só informarei hoje à tarde na cerimônia de posse do Carlos Lessa no BNDES", limitou-se a dizer. Desafio Furlan desafiou os empresários do setor do couro a dobrarem suas exportações até 2006, de US$ 2,84 bilhões registradas no ano passado. Furlan garantiu que, pelo lado do governo, os empresários encontrarão parcerias, incentivos, trabalho na abertura de mercados e rigidez nas negociações internacionais. "Ouvi hoje dos empresários que estamos tendo dificuldade para entrar na Rússia. Vamos remover essa dificuldade. Em março ou abril vamos fazer uma missão até a Rússia e eu quero a presença dos empresários lá. Vamos negociar o ingresso nesse mercado, já que queremos os russos como parceiros", afirmou. Citando um questionamento pessoal feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que o Brasil quase não tem relacionamento comercial com os países do norte da Europa, Furlan sugeriu aos empresários que intensifiquem a busca por esses mercados. "Precisamos fazer mais do que vocês já fizeram, criando oportunidades. Helsinque, Kopenhague e Estocolmo têm renda per capita anual de US$ 40 mil a US$ 60 mil. Precisamos ver o que as pessoas de lá compram e oferecermos nossos produtos", disse. Ao enfatizar sua "obsessão" pelas exportações, o ministro chegou a ficar emocionado durante o discurso. "Quando minha mulher vai comprar uma botinha em Nova York, um calçado que fica bem no pé dela, fico envaidecido quando vejo o selo 'made in Brazil'", afirmou, interrompendo o discurso, quase perdendo a voz e abaixando a cabeça em silêncio parecendo até que ia chorar. "Fico muito emocionado quando penso nisso", justificou.
BNDES vai ampliar crédito para pequenas empresas exportarem
Terça, 14 de Janeiro de 2003 às 13:07, por: CdB