Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

BNDES pode recorrer à Justiça para receber US$ 160 mi da Telmex

Quinta, 24 de Junho de 2004 às 12:56, por: CdB

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, disse que a instituição pode recorrer à Justiça para receber US$ 160 milhões devidos pela empresa mexicana Telmex, controladora da Claro. A afirmação foi feita na audiência pública da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC), da Câmara dos Deputados.

Carlos Lessa disse que a negociação, no entanto, é o melhor caminho para a solução dessa situação.

- Para uma instituição como o BNDES, o caminho da negociação é um caminho melhor do que o caminho da Justiça. O caminho da Justiça é normalmente mais longo - explicou.

O presidente do BNDES informou, no entanto, que o grupo mexicano não deu nenhuma sinalização de que queira dar início a uma negociação.

A Telmex tem uma dívida com o BNDES de US$ 160 milhões da época da privatização das operadoras de telefonia móvel Telet (Rio Grande do Sul) e Americel (Centro-Oeste, hoje Claro). Para facilitar o processo de privatização, Carlos Lessa disse que a diretoria anterior do banco adquiriu dois lotes de ações preferenciais, sem direito a voto.

Como garantia dessa operação, o BNDES ficou com o direito de, em uma transferência de controle da empresa, sair do negócio pelo mesmo preço obtido pelos novos controladores. Segundo o presidente do BNDES, houve uma transferência de fato do controle e o banco não foi ressarcido por isso.

- Na verdade, eu diria que foi uma operação tecnicamente mal feita porque a subscrição integral de ações preferenciais só se justifica se houver a firme intenção de, em um prazo relativamente curto, levar a abertura do capital em uma operação de fortalecimento do mercado de capitais - disse Lessa.

Ele chegou a afirmar que o BNDES ficou com o "mico" da operação de privatização do setor.

Tags:
Edições digital e impressa