Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

BNDES fortalece matrizes de energia limpa mas investe menos em hidrelétricas

O banco já sinalizava que precisaria mudar sua política em meio aos esforços por um ajuste fiscal anunciados pelo governo brasileiro. O fato gerou forte expectativa entre investidores

Segunda, 03 de Outubro de 2016 às 12:04, por: CdB

O banco já sinalizava que precisaria mudar sua política em meio aos esforços por um ajuste fiscal anunciados pelo governo brasileiro. O fato gerou forte expectativa entre investidores

 
Por Redação, com Reuters - do Rio de Janeiro
  O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta segunda-feira, novas condições para financiamento a projetos de energia. A instituição passou a visar aquelas plantas que incluem melhores condições para usinas solares e a redução do apoio a grandes hidrelétricas e termelétricas.
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Os painéis solares têm convivido com as plantações em fazendas norte-americanas
O banco já sinalizava que precisaria mudar sua política em meio aos esforços por um ajuste fiscal anunciados pelo governo brasileiro. O fato gerou forte expectativa entre investidores devido aos vultosos empréstimos concedidos pela instituição ao setor elétrico, nos últimos anos. Representantes da instituição de fomento disseram a jornalistas, em teleconferência nesta segunda-feira, que as mudanças visam privilegiar com empréstimos mais atrativos. Papéis atrelados à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), setores vistos como de maior retorno social e ambiental. Os ativos também atraem o setor privado para financiar os demais empreendimentos. O BNDES também anunciou para os investidores em energia o fim da concessão de empréstimos-ponte. Estes costumam ser utilizados pelas empresas para bancar aportes ou obras enquanto o banco analisa o financiamento. Geralmente de longo prazo. Diretora de Infraestrutura do BNDES, Marilene Ramos disse que o objetivo da instituição é compensar o fim dos empréstimos-ponte. E isso implica em maior agilidade na aprovação das operações

Menos termelétricas

Pela nova política, as áreas com maior participação do BNDES serão as de energia solar, eficiência energética e iluminação pública. Nestas, o banco participará com até 80% dos itens financiáveis em recursos da TJPL, atualmente em 7,5% ao ano. Antes, o teto para empréstimos ao setor solar era de 70% dos itens financiáveis. Já as grandes hidrelétricas terão reduzida a fatia de empréstimos pelo banco de fomento a até 50% dos itens financiáveis, ante 70% anteriormente. A mesma redução, de 70% para 50%, será adotada para as termelétricas a gás natural em ciclo combinado. Enquanto isso, térmicas poluentes, a carvão e óleo, não contarão mais com recursos da instituição de fomento. — O banco está tomando essa decisão... para buscar preservar sua participação para as fontes de energia limpas — afirmou a superintendente de Energia do BNDES, Carla Primavera. Nessa linha, usinas eólicas, à biomassa, pequenas hidrelétricas e projetos de cogeração terão mantido o atual nível de participação. Este permanece em até 70% do banco, com recursos integralmente em TJLP.

Participação menor

As regras para apoio aos setores de transmissão e distribuição de eletricidade também mudaram. Contam com previsão de uma participação menor do BNDES nos financiamentos, que tentarão atrair recursos do setor privado. Em transmissão, o BNDES financiará até 80% dos itens elegíveis, mas a custo de mercado, e não a TJLP. O prazo de amortização será de 20 anos, ante 14 anteriormente. Já na distribuição, o banco apoiará investimentos com até 50% dos itens financiáveis, que poderão receber até 50% dos recursos a TJLP, com o restante a custo de mercado. Antes, até 70% podiam ser financiados pela taxa de longo prazo. As novas condições para transmissão já são válidas para o leilão de concessão para construção e operação de novas linhas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) promoverá todos eles em 28 de outubro.
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