Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Bloco de aliados visa conquistar a presidência da Câmara

O Blocão, como já está sendo chamado o acordo anunciado na véspera entre PMDB, PR, PP, PTB e PSC, reunirá um total de 202 deputados na Casa. A negociação para formação do bloco, anunciada pelo líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), abre a possibilidade de indicar um candidato à presidência da Câmara.

Quarta, 17 de Novembro de 2010 às 10:12, por: CdB

O Blocão, como já está sendo chamado o acordo anunciado na véspera entre PMDB, PR, PP, PTB e PSC, reunirá um total de 202 deputados na Casa. A negociação para formação do bloco, anunciada pelo líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), abre a possibilidade de indicar um candidato à presidência da Câmara. O deputado disse que o PT não foi convidado para a reunião, mas lembrou que os integrantes do novo bloco fazem parte da base aliada e que a decisão não representa um confronto. O PT reivindica o direito de ocupar a presidência por ter conseguido eleger a maior bancada nas eleições de outubro. – Esta é a primeira conversa. O nosso bloco hoje é aliado do PT e não dará um passo antes de ouvir a presidente eleita, Dilma Rousseff. A decisão de hoje não é para confrontar nem conflitar, mas para coordenar os trabalhos nesta Casa e fora dela – afirmou Alves. O nome de Henrique Eduardo Alves tem sido ventilado por seu partido para a sucessão da presidência da Câmara, hoje ocupada pelo vice-presidente eleito e presidente do PMDB, Michel Temer. PT é aliado Após o anúncio do superbloco, líderes do PT consideraram a movimentação como "natural" e tentaram desviar a possibilidade de um racha na base governista. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP) negou que a formação do grupo seja um movimento para isolar o PT e afirmou que a decisão não pode abalar a relação entre os partidos governistas. – Se a finalidade (do bloco) for defender as posições políticas desse grupo de deputados, é muito bom. Mas se é para burlar o resultado eleitoral, não é bom. A questão da presidência da Câmara será trabalhada no PT de maneira a não gerar nenhum problema na base de apoio à presidente Dilma e sobretudo com o PMDB – declarou. Para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, movimentos parlamentares são "naturais". – Os blocos dizem respeito à ocupação de espaços no Parlamento, o que é perfeitamente legítimo e natural. Não significa, necessariamente, que a definição das ações do Executivo passe por blocos do Parlamento – afirmou Dutra ao deixar uma reunião para tratar do processo de transição ao governo da presidente eleita Dilma Rousseff. Sem fusão Enquanto os governistas se articulam, no campo da oposição, democratas e tucanos não se entendem. A Executiva nacional do Democratas decidiu, em reunião na noite passada, descartar a possibilidade de fusão com outros partidos políticos e produzir um plano de ação para o fortalecimento da legenda. A partir da derrota nas eleições presidenciais, em que apoiou o tucano José Serra, cresceram as especulações de que o partido se fundiria ao PSDB ou ao PMDB e que este movimento estaria sendo capitaneado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, um dos principais líderes do DEM. Kassab, no entanto, mostra-se insatisfeito com os rumos da legenda que o abriga e já negocia com o Partido Socialista Brasileiro (PSB). "No encontro, foi descartada... por unanimidade, qualquer possibilidade de fusão com outros partidos", disse o DEM em nota divulgada após a reunião da Executiva. O texto é assinado pelo deputado Onyx Lorenzoni, presidente em exercício do partido. O plano de fortalecimento da legenda visa, segundo a nota, ter candidatos próprios às eleições municipais de 2012 e gerais de 2014. "O Democratas está voltado, neste momento, à reconstrução de sua unidade interna para garantir um futuro de êxito eleitoral no exercício de uma oposição responsável, atenta e fiscalizadora", afirmou o partido, admitindo que há cisões na legenda. O Democratas vem perdendo representatividade no Congresso e na última eleição elegeu dois governadores. Em 2006, apenas José Roberto Arruda foi eleito governador do Distrito Federal, renunciando após fortes denúncias de corrupção. Antigo PFL, o DEM trocou de nome e a direção, optando por uma geração mais jovem, mas ainda recebe forte influência de lideranças tradicionais como seu ex-presidente Jorge Bornhausen. Mais cedo, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao anunciar os primeiros quatro secretários de sua gestão, disse que uma possível fusão do DEM com o PMDB não influenciaria sua escolha por nomes para compor seu governo porque os dois partidos "nos apoiaram em São Paulo". No total, o governo paulista tem 27 secretarias.

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