O chefe dos inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), Hans Blix, classificou as discussões que teve neste sábado com representantes do governo iraquiano de "úteis e substanciais". Acompanhado de Mohamaed El Baradei, também chefe dos inspetores, Hans Blix se reuniu, por mais de quatro horas, com funcionários iraquianos para negociar maior cooperação na busca de armas de destruição em massa. Os dois, que não deram detalhes sobre o conteúdo das discussões, terão novas reuniões neste domingo, também em Bagdá. Baradei - o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU - disse que é preciso alcançar progresso rápido, já que o tempo é uma questão crucial. Exigências Baradei ressaltou que as inspeções são uma alternativa à guerra, não um prelúdio para uma ação armada. Blix e Baradei chegaram a Bagdá no momento em que inspetores da ONU entrevistavam mais um cientista iraquiano, em um encontro reservado. Nos últimos três dias, cinco cientistas iraquianos já foram entrevistados pelos inspetores sem a presença de monitores do governo. As entrevistas particulares eram uma das exigências apresentadas ao Iraque por Hans Blix em seu último relatório ao Conselho de Segurança da ONU. O correspondente da BBC em Bagdá disse que há sinais de que o Iraque deve fazer outras concessões. Representantes da ONU disseram que agora esperam que o Iraque autorize que aviões de espionagem do tipo U2 comecem a sobrevoar locais suspeitos no país. Blix havia dito que ia pedir ao governo iraquiano que esclarecesse as omissões do dossiê de armas apresentado por Bagdá ao Conselho de Segurança da ONU em dezembro passado. A última edição do jornal mais influente do Iraque, Babel, afirma que Bagdá vai se esforçar para facilitar o trabalho dos inspetores, para evitar o que chamou de "agressão americana". Na próxima sexta-feira, dia 14 de fevereiro, os inspetores de armas apresentam um novo relatório ao Conselho de Segurança da ONU. Contagem regressiva Este relatório está sendo visto como o possível marco para o início de uma contagem regressiva para uma ação militar. Se os inspetores considerarem que o Iraque não intensificou sua cooperação na busca de armas de destruição em massa, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha devem pressionar por uma nova resolução. Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pressionou o Conselho para que "tome uma decisão" sobre como o Iraque deve ser forçado a abandonar seu suposto programa de armas de destruição em massa. No mesmo dia, Bush conversou com os presidentes da França e da China - países com poder de veto no Conselho de Segurança e que, até agora, se mostraram contrários ao uso da força. Nos últimos dias, Bush também conversou com os líderes da Rússia e da Grã-Bretanha - os outros dois membros permanentes do Conselho. O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que Bush advertiu o presidente chinês Jiang Zemin de que o "tempo está na essência do modo de tratar o Iraque" e que "a credibilidade das Nações Unidas está em jogo". Há informações de que a Grã-Bretanha - o principal aliado dos Estados Unidos - já estaria elaborando uma nova resolução do Conselho de Segurança autorizando o uso da força contra o Iraque, a ser submetida depois do próximo relatório dos inspetores.
Blix diz que discussões em Bagdá foram 'úteis'
Sábado, 08 de Fevereiro de 2003 às 19:40, por: CdB