O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, insistiu em falar na Câmara dos Comuns que se não tivesse iniciado a guerra contra o Iraque junto aos Estados Unidos, teria cometido "um grande erro" com relação à população da Grã-Bretanha.
- Se tivesse ignorado a informação dos serviços de inteligência sobre as armas de destruição em massa iraquianas e se tivesse decidido não tomar nenhuma atitude contra o Iraque, em função das ameaças que vinham do país, eu teria cometido um grave erro para com a população - declarou Blair, durante a tradicional sessão semanal de "Question Times", no palácio de Westminster.
Blair continuou afirmando que o Iraque possuía armas de destruição em massa, que elas não tinha sido encontradas por inspetores da ONU que trabalhavam no país antes que fosse iniciado o ataque militar. Contudo, até agora não foi encontrada nenhuma evidência de sua existência.
Apesar disso, ele continuou: "Deixei bem claro que Saddam Hussein desenvolveu armas de destruição em massa e utilizou esses arsenais contra seu próprio povo. Apresentamos essa informação à Câmara dos Comuns com base nos dados apresentados pelos serviços de inteligência".
Aos pedidos da oposição conservadora para que Blair renunciasse por "ter mentido" ao país sobre as supostas armas iraquianas, o premier respondeu: "Quero lembrar que é possível haver um debate sobre os prós e os contras de ter iniciado uma guerra contra o Iraque, algo que acredito ter sido o mais certo a fazer, mas não vou tolerar que ataquem a minha integridade".
O premier também foi interrogado sobre os custos da guerra e da ocupação do Iraque, com a anunciada "reconstrução", sobre o que respondeu: "não podemos saber com exatidão essas respostas".
- Não posso estar certo sobre quantos soldados haverá em alguns anos no Iraque e, ao contrário do que diz a imprensa, nunca afirmei que haveria milhares de tropas no Iraque durante os próximos anos. São assuntos que não podemos saber com exatidão - se defendeu.
- O que sei é que a reconstrução do Iraque é importante não apenas para esse país, mas para a estabilidade da região do Oriente Médio e para o mundo inteiro. Há 30 países que estão nos ajudando no Iraque, não são só Estados Unidos e Grã-Bretanha, e acredito que é muito importante que a reconstrução iraquiana seja bem-sucedida -.
Ele também reiterou que a suposta "reconstrução" do Iraque será "um investimento no futuro, na estabilidade e segurança da região e do mundo, e dou minhas boas-vindas a ela".
Blair volta a defender sua posição sobre o Iraque
Quarta, 07 de Janeiro de 2004 às 14:31, por: CdB