O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, reiterou que existem provas que demonstram que o derrocado regime iraquiano teve armas de destruição em massa, numa entrevista concedida à Sky News e cujo conteúdo foi divulgado neste domingo. Durante sua recente visita oficial a São Petersburgo (Rússia), o premier declarou à tv britânica que "não duvida, em absoluto", que o Saddam Hussein teve armas nucleares, químicas ou biológicas, e garantiu que ele mesmo pôde comprová-lo. O primeiro-ministro explicou que "há literalmente centenas, possivelmente milhares, de potenciais enclaves de armas de destruição em massa (no Iraque) que ainda têm de ser investigados. Acabamos de começar com esta tarefa". A postura de Blair, apoiada hoje por seu ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, se viu comprometida depois que, nesta mesma semana, a rede BBC divulgou que o Executivo britânico "maquiou" um relatório, publicado no último mês de setembro, sobre o armamento iraquiano para dar-lhe mais importância. No documento, Blair advertia que o regime de Bagdá podia ativar seu arsenal químico e biológico em 45 minutos, uma informação que não chegou a ser confirmada, segundo um alto funcionário de seu Governo consultado pela BBC. Críticos de Blair pediram a divulgação pública deste documento e, no geral, de provas sobre a existência das supostas armas, já que esta foi a razão apresentada por Londres e Washington para justificar o ataque anglo-americano contra o Iraque. Robin Cook, ex-líder trabalhista da Câmara dos Comuns, que se demitiu por discrepâncias com a política belicista do Governo de Blair, disse hoje à BBC que o Executivo britânico cometeu uma "inconveniência monumental" em relação ao Iraque e deveria abrir uma investigação independente. Cook sugeriu que "o Governo admita que estava errado e lance uma investigação independente e minuciosa para estabelecer onde errou, de modo que não se repita e não voltemos a enviar tropas britânicas a uma guerra apoiadas em um erro". Cook aproveitou para pedir o retorno dos inspetores de armas da ONU para que "confirmem que Saddam Hussein não conta com esta capacidade em armas de destruição em massa". A também demissionária Clare Short, ex-ministra britânica da Cooperação Internacional, considerou que Blair "enganou" os membros do Parlamento e o público sobre suas autênticas razões para decidir atacar o Iraque, numa entrevista publicada este domingo pelo jornal Sunday Telegraph.
Blair reafirma existência de armas no Iraque
Domingo, 01 de Junho de 2003 às 20:13, por: CdB