O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, voltou a afirmar nesta terça-feira que está pronto a promover um referendo sobre a adoção de uma constituição da União Européia, mas assinalou que o plebiscito deve acontecer daqui a um ano ou mais, muito provavelmente depois das eleições gerais.
Ainda assim, a medida é considerada uma virada na política britânica em relação ao bloco europeu. "Vamos deixar o assunto ser colocado. Deixemos que outros entrem na batalha - disse Blair ao Parlamento.
O premier afirmou que o eleitorado deve ser indagado "quando todas as nossas questões tiverem sido respondidas, quando todos os detalhes forem conhecidos, quando a legislação for finalmente moderada e verificada e quando o parlamento tiver debatido e decidido".
Conversações sobre a instituição de uma Constituição da União Européia desmoronaram em uma reunião de cúpula em dezembro do ano passado. Mas mudanças de governo na Espanha e na Polônia - dois dos países que mais se opunham à medida - ajudaram a reavivar as negociações.
Vários países membros da União Européia planejam realizar plebiscitos sobre a Constituição da UE se o documento for assinado e selado em uma reunião de cúpula em junho, como parece crescentemente provável. Um "não" do eleitorado em qualquer deles iria atrasar ou até inviabilizar a carta.
Autoridades disseram que, ainda que se alcance um acordo, as análises parlamentares não começariam antes do fim deste ano e levariam meses. Blair deve convocar eleição geral em maio do ano que vem.
O primeiro-ministro disse que assinará uma constituição européia se o documento respeitar as "linhas vermelhas" da Grã-Bretanha e prometeu um controle unilateral do país sobre áreas como impostos, defesa e política externa.