O chamado Quarteto dos mediadores do Oriente Médio - integrado por Rússia, União Européia, Estados Unidos e a ONU - deve decidir nesta terça-feira, em uma reunião em Jerusalém, se nomeia o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, enviado de paz para a região.
Blair, que vai entregar o cargo nesta quarta-feira, já demonstrou interesse em trabalhar na intermediação da paz no Oriente Médio.
- Seguramente há uma grande expectativa de que Tony Blair seja nomeado - disse o correspondente da BBC em Jerusalém, Tim Franks - No entanto, a decisão ainda não teria sido fechada absolutamente.
Os representantes devem discutir também as áreas de atuação de Tony Blair e a logística dessa nomeação, questões como a segurança do ex-primeiro-ministro.
De acordo com Franks, o integrante menos receptivo à nomeação de Blair, a Rússia, dificilmente vetaria a idéia.
Sharm el-Sheikh
Os Estados Unidos já manifestaram o desejo de dar a Blair um papel no processo de paz do Oriente Médio, no entanto, o líder britânico é visto por muitos no mundo árabe como excessivamente pró-Estados Unidos e pró-Israel.
O encontro do Quarteto em Jerusalém também deve repercutir os resultados do encontro dos líderes de Israel, Egito e Jordânia com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh, para fortalecer o novo governo instalado pelo líder palestino.
Um dia antes do encontro, Israel anunciou a transferência a Abbas de cerca de US$ 350 milhões de impostos recolhidos de palestinos e retidos desde o início de 2006, quando o grupo islâmico Hamas venceu as eleições palestinas.
Desde a formação do governo de emergência palestino, nomeado por Abbas, Israel e muitos países do Ocidente vêm demonstrando apoio ao novo gabinete, que não conta com a presença do Hamas.
Na segunda-feira, o ex-primeiro-ministro demitido Ismail Haniya, do Hamas, disse que o grupo estava disposto a negociar com o Fatah novamente.
Durante o encontro no Egito, Ehud Olmert, anunciou uma proposta de libertar 250 presos do Fatah.
Já Abbas pediu a Israel para "iniciar negociações políticas sérias, seguindo um cronograma, com o objetivo de criar um Estado palestino".