Primeiro-ministro britânico, Tony Blair pediu, nesta segunda-feira, que a Síria e o Irã colaborem nos esforços internacionais para conter a violência no Iraque, num momento em que Londres e Washington revêem suas estratégias na região. Blair argumentou a necessidade de uma estratégia ampla para o Oriente Médio que deixe claro para Damasco e Teerã como eles podem ajudar na região, disse uma porta-voz.
Os EUA, até recentemente, rejeitavam os contatos com Irã e Síria, mas o governo se mostra mais aberto a novas estratégias desde a vitória do Partido Democrata nas eleições parlamentares da semana passada. O Irã disse na segunda-feira que levará a sério qualquer proposta oficial norte-americana de negociação.
- Se eles (os EUA) realmente querem conversar com o Irã, devem propor isso oficialmente, e o Irã então vai analisar - disse um porta-voz do ministério das Relações Exteriores em Teerã.
Blair dirá que o conflito no Iraque evoluiu e que as políticas devem refletir isso. Ele vai acrescentar que uma estratégia abrangente para a região deve incluir também a paz no Líbano e na Palestina.
- De forma consistente, dizemos que Irã e Síria precisam encarar suas responsabilidades. O Iraque não pode ser visto como fora da região. Estamos pedindo a Irã e Síria que abordem o governo iraquiano e aceitem a responsabilidade pela paz e o desenvolvimento, e assim continuaremos fazendo - disse o secretário britânico de Defesa, Des Browne, a jornalistas na segunda-feira em Bruxelas.
Browne negou que a Grã-Bretanha esteja revendo sua estratégia no Iraque devido aos resultados eleitorais norte-americanos, que refletiram a oposição da população dos EUA à guerra. O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, também aliado dos EUA, defendeu a negociação com países como Síria e Irã para acabar com a violência no Iraque. Os democratas norte-americanos, que agora controlam o Congresso, querem que os EUA comecem a retirar suas tropas do Iraque nos próximos meses. Blair, principal aliado de Bush, também enfrenta pressões internas para apresentar um cronograma de desocupação.
Os eleitores de ambos os países estão cada vez mais preocupados com a violência no Iraque. Os EUA perderam 2.845 soldados no país desde a invasão, em 2003. A Grã-Bretanha já teve 125 militares mortos - quatro dos quais no domingo, em um ataque a um barco em Basra. Blair, cuja popularidade foi abalada devido à guerra, falará na terça-feira, por videoconferência, com uma comissão bipartidária dos EUA que estuda estratégias alternativas no Iraque.