O jornal The Guardian informou em sua edição desta quinta-feira que o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, determinou a elaboração de um plano para uma possível intervenção militar do país no Sudão, para ajudar a pôr fim a uma crescente crise humanitária na nação africana.
Estima-se que nos últimos 15 meses o conflito na região de Darfur, no Oeste do Sudão, já matou entre 10 mil e 30 mil pessoas. Um milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas e cerca de 2 milhões precisam de assistência urgente, segundo funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU).
"O primeiro-ministro Tony Blair pediu para avaliarmos todas as opções que possam salvar vidas e não descartou os serviços militares", disse ao jornal um funcionário não identificado do governo britânico, envolvido na elaboração do plano.
Um porta-voz do gabinete de Blair disse que não havia "nada a ser reconhecido" na matéria do "Guardian", enquanto o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo britânico "ainda está na fase diplomática" em relação ao Sudão.
De acordo com o "Guardian", os militares poderiam ajudar a entregar mantimentos, dar apoio logístico às forças da União Africana ou ajudar a proteger os campos de refugiados da ação de milícias.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse nesta quarta-feira que o Sudão tem feito muito pouco para evitar que as milícias árabes chamadas Janjaweed ataquem a população negra em Darfur. Em um acordo firmado com Annan há duas semanas, o Sudão prometeu proteger os refugiados, desarmar a Janjaweed e outros grupos, suspender as restrições à circulação de equipes de assistência humanitária, além de permitir a entrada de monitores da União Africana e punir os responsáveis pelas atrocidades.
Blair já estuda intervenção militar no Sudão
Quinta, 22 de Julho de 2004 às 07:50, por: CdB