O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, apontou na sexta-feira um dos políticos mais polêmicos do país para ser o próximo representante britânico junto à União Européia (UE).
A medida, segundo analistas, destaca a confiança renovada do dirigente depois de ter sobrevivido ao pior período da crise detonada pela guerra contra o Iraque.
Obrigado a sair duas vezes do governo devido a escândalos, Peter Mandelson, de 50 anos, goza da lealdade inabalável de Blair e é, há muito tempo, apontado como o mentor político do premier.
Mas o chamado "Príncipe das Trevas", o mestre da estratégia que recolocou o Partido Trabalhista no poder, não conta com os mesmos favores longe do dirigente. O ministro das Finanças da Grã-Bretanha, Gordon Brown, em especial, não se dá bem com Mandelson desde que, em 1994, o estrategista abandonou-o para dar apoio a Blair na disputa pela liderança do Partido Trabalhista.
O premier disse em um comunicado: "A Europa é o melhor mercado da Grã-Bretanha. O modo como se desenvolve a Europa, especialmente a Europa dos 25 (países-membro da UE), será crucial para o futuro da Grã-Bretanha".
Um tradicional defensor da adoção do euro pelos britânicos, a indicação de Mandelson deve agradar o bloco. Internamente, porém, ele se viu rapidamente atacado por políticos britânicos de todas as vertentes. "Isso é nepotismo do pior tipo", afirmou o presidente do Partido Conservador (oposição), Liam Fox.
A nomeação de Mandelson era prevista em meio a uma reforma ministerial promovida por Blair. Mas essa reforma parece ter sido adiada por enquanto. Há especulações de que o estrategista vacilou diante do cargo na UE, esperando retornar ao centro do governo. Mas ministros de Blair dissuadiram o dirigente da manobra.