Apesar de garantir não ter cedido a pressões da China, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, não vai se encontrar com o Dalai Lama durante a visita do líder tibetano a Londres esta semana.
Há três semanas, Blair se encontrou com o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, em Londres, e foram assinados contratos no valor de 1 bilhão de dólares entre a China e empresas britânicas. Mas ao Dalai Lama restará apenas uma reunião com o secretário das Relações Exteriores, Jack Straw.
"Já me encontrei com o Dalai Lama em ocasiões passadas e ficarei muito feliz de reencontrá-lo no futuro", disse Blair ao Parlamento, quando pressionado a explicar por que a reunião não aconteceria.
Questionado se o motivo era a pressão da China, Blair respondeu: "Não, não é."
A China, que impôs o regime comunista ao Tibete em 1950 e o considera parte de seu território, acusa o líder religioso de exercer atividades separatistas.
A visita durará uma semana e terá início na quinta-feira. A imprensa britânica noticiou que a embaixada da China em Londres havia levantado objeções a um encontro entre Blair e o Dalai Lama.
Blair, que se reuniu com o tibetano pela última vez há cinco anos, disse que o Tibete é uma fonte permanente de preocupação. "É uma questão que discutimos constantemente com os chineses, mais recentemente na visita do premiê Wen, quando tivemos uma discussão longa e importante sobre o assunto", afirmou.
Segundo o gabinete de Straw, sua reunião com o tibetano não vai mudar a posição da Grã-Bretanha em relação ao território. A política britânica é a de encorajar a China a encontrar uma solução não-violenta e duradoura para o Tibete, que ao mesmo tempo seja aceitável para os tibetanos.
Ativistas mostraram decepção com o fato de Blair não se encontrar com o Dalai Lama, e pressionaram Straw a tomar uma posição mais dura.
"Escrevemos a Jack Straw pedindo a ele que não faça apenas cortesias diplomáticas ao Dalai Lama, mas ofereça apoio político de verdade", disse Alison Reynolds, diretora da organização Tibete Livre.
Não foram encontrados representantes da embaixada chinesa em Londres para comentar o assunto.
O Dalai Lama comanda um governo expatriado desde que fugiu do país, em 1959, depois de um levante frustrado. Ele se encontrou no mês passado com o premiê canadense, Paul Martin, e deve visitar o príncipe Charles e o líder do Partido Conservador, oposicionista, Michael Howard, antes de viajar para a Escócia.