Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Blair diz que Iraque irá controlar tropas

Terça, 25 de Maio de 2004 às 17:31, por: CdB

O governo da Grã-Bretanha informou nesta terça-feira que o futuro governo interino do Iraque deterá o controle final sobre as tropas estrangeiras no país, uma posição que aparentemente contradiz o desejo dos Estados Unidos. "Se houver uma decisão política sobre entrar em um lugar como Falluja de uma forma particular, isso precisará ser feito com o consentimento do governo iraquiano", disse o primeiro-ministro Tony Blair em referência aos recentes ataques dos rebeldes contra as tropas dos EUA naquela cidade.

"O controle político final permanece com o governo iraquiano. É isso que a transferência de soberania significa", garantiu. A coalizão liderada pelos EUA entrega em 30 de junho a soberania do Iraque aos iraquianos, mas ainda há controvérsias sobre a autonomia que as tropas estrangeiras terão no país depois dessa data.

Sob pressão da opinião pública, os governos de Londres e Washington divulgaram na segunda-feira uma proposta de resolução pela qual o Conselho de Segurança da ONU daria aval à transição. Essa proposta prevê que os EUA possam "tomar todas as medidas" para manter a ordem, sem mencionar qualquer poder de veto do governo interino iraquiano. Autoridades britânicas dizem que esse mecanismo de veto estaria previsto em cartas a serem trocadas com o governo interino antes da votação na ONU.

Em Washington, porém, as autoridades deixam claro que não vão colocar suas tropas sob controle estrangeiro, o que é tabu nos EUA. Aparentemente divergindo de Blair, o secretário norte-americano de Estado, Colin Powell, disse na terça-feira que "obviamente vamos levar em conta o que eles iraquianos tenham a dizer em nível político e militar". Mas que "se for o caso de as tropas dos EUA se protegerem ou cumprirem alguma missão de forma que não seja com a total consonância do governo interino iraquiano, as tropas dos EUA continuam sob comando dos EUA".

Blair disse que as tropas estrangeiras vão continuar no Iraque apenas com o consentimento dos iraquianos, e que os soldados locais não podem ser obrigados a participar de missões que não queiram. "O controle político muda, as questões operacionais terão de ser decididas sob vários acordos. Podem ser decididas operação a operação".

Toby Dodge, especialista em Iraque no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, acha que essa postura de Blair é uma clara tentativa de forçar os EUA a aceitar o poder iraquiano de veto sobre as operações. "O novo governo não foi escolhido, os memorandos e cartas ainda não foram negociados, então devemos ver esses comentários de Blair como declarações de aspirações ou especulações", afirmou.

Londres também está negociando com seus aliados o envio de reforços militares para o Iraque. Tal medida poderia ser politicamente prejudicial a Blair, cujo apoio popular decaiu por causa da guerra. Blair disse na terça-feira que ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre o envio de mais tropas. Ele também não quis especular sobre quanto tempo ainda levará a presença militar estrangeira no Iraque.

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