Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2026

Blair diz que hora de ajudar a África é agora ou nunca

Sexta, 27 de Maio de 2005 às 15:11, por: CdB

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse na sexta-feira que os países ricos precisam decidir agora ou nunca mais se vão ajudar a combater a pobreza na África.

"Se não fizermos isso neste ano, não será feito, na minha opinião. Então, este é o momento para a decisão", disse ele em visita a Roma, parte de sua turnê por várias capitais para promover uma iniciativa de ajuda à África.

Blair quer que os países mais ricos destinem 25 bilhões de dólares extras em ajuda e perdoem totalmente a dívida das nações mais pobres. A iniciativa estará no topo da agenda da reunião do G8 (grupo dos oito países industrializados mais ricos), sob a presidência de Blair, em julho, na Escócia.

Além do premiê italiano, Silvio Berlusconi, Blair visitará também os líderes de Estados Unidos, França, Alemanha e Rússia em busca de apoio à sua proposta. Críticos consideram que essa viagem demonstra o pânico que Blair sente diante da oposição dos EUA ao programa - diplomatas dizem que o presidente George W. Bush não está disposto a desembolsar mais em ajuda.

Blair afirmou que os líderes africanos também precisam assumir a responsabilidade de combater a pobreza. "Eles estão preparados para isso e querem isso", disse.

Berlusconi disse a jornalistas que apóia a iniciativa britânica, mas ainda não se sabe se isso significará mais dinheiro, uma vez que a ajuda humanitária italiana vem caindo nos últimos dois anos.

O roqueiro irlandês Bob Geldof, entusiasta da campanha, criticou a Itália em uma conferência em Roma e qualificou de "miseráveis" os níveis de ajuda do país. Na década de 1980, Geldof foi um dos idealizadores do projeto "Live Aid", do hit "We Are the World", cujo lucro reverteu para o combate à fome na África. "Vocês são o sexto país mais rico do mundo, mas são o mais sovina", disse Geldof.

A contribuição humanitária italiana representa a menor de todo o G8 em termos reais. Apesar das promessas de aumento, o valor caiu de cerca de 0,2 por cento do PIB em 2002 para 0,16 por cento em 2003.

Berlusconi disse que gostaria de elevar a ajuda, mas o país já é o sexto maior patrocinador da ONU, o terceiro maior da União Européia e o terceiro maior das missões de paz da ONU.

"Acho, francamente, que a Itália faz a sua parte como protagonista no cenário mundial", afirmou ele em entrevista coletiva.

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