O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, preferiu fazer vista grossa em público às diferenças em relação ao presidente dos EUA, George W. Bush, a respeito do Iraque e do Oriente Médio, temas que serão discutidos no encontro desta sexta-feira entre eles em Washington.
A reunião acontece no momento em que o Iraque registra uma onda de violência e dias depois de Bush anunciar uma importante mudança de postura no conflito entre israelenses e palestinos, à qual Blair se opunha no passado.
Mas o líder britânico disse que os dois aliados compartilham de um objetivo comum no Iraque e afirmou que a iniciativa de Bush no Oriente Médio pode ajudar a desbloquear o processo de paz.
Em entrevista em Nova York após reunião com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, Blair admitiu que a situação de segurança no Iraque é complicada, mas disse que seu compromisso com a estabilização e democratização do país continua inalterado.
Blair já pagou um alto preço político por sua decisão de ajudar os EUA na guerra do Iraque. As pesadas baixas registradas neste mês entre as tropas norte-americanas também podem ameaçar o futuro político de Bush.
Ambos os líderes estavam na defensiva, mesmo antes da recente onda de violência, pelo fato de terem agido sem a autorização da ONU e de não terem encontrado as armas de destruição em massa que eles acusavam Saddam Hussein de possuir.
Agora, aproximando-se o prazo de 30 de junho, quando os EUA pretendem transferir a soberania a um governo interino iraquiano, ainda não há consenso sobre como será tal governo. A violência torna a transição ainda mais complicada de planejar e executar.
A respeito do Oriente Médio, Blair rejeitou as acusações palestinas de que Bush teria abandonado o seu próprio plano de paz ao declarar que Israel poderá ficar com parte da Cisjordânia no futuro.
Os palestinos, assim como Londres e Washington, sempre viram os assentamentos judaicos nos territórios ocupados como obstáculos ao processo de paz, de acordo com resoluções da ONU que pedem sua eliminação.
Analistas dizem que a declaração de Bush deve complicar os esforços para estabilizar o Iraque, mas Blair negou que se sinta prejudicado por isso. ``Não vejo o plano de paz (para a questão palestina) abandonado de forma alguma'', afirmou. ``Acho importante que garantamos que a iniciativa tomada nos últimos dias leve a um verdadeiro sentido de movimento e mudança lá no Oriente Médio.''